UBS BB vai na contramão dos bancos e mantém recomendação de compra para Brasil
O UBS BB segue otimista com o Brasil. O banco reiterou a recomendação overweight (equivalente a compra) para as ações brasileiras, em movimento contrário a outros bancões gringos.
Para os estrategistas do banco suíço, a Bolsa do país continua apresentando um valuation “atraente” dentro da sua estratégia para emergentes, apesar do desempenho positivo em 2026. Desde janeiro, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV), acumula alta de 8,4%.
Eles também destacam que o posicionamento dos investidores continua favorável, com fundos de mercados emergentes aumentando sua exposição overweight ao Brasil durante o 2º trimestre.
Além disso, os estrategistas veem espaço para uma continuidade do suporte aos lucros e para uma reprecificação positiva dos múltiplos, diante do ciclo de cortes na taxa básica de juros.
O banco projeta redução de cerca de 125 pontos-base na Selic neste ciclo de flexibilização, iniciado em março pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e que já cortou a taxa básica de juros de 14,75% para 14,00% ao ano (-75 pontos-base). Ou seja, o banco prevê pelo menos dois cortes de 25 pontos-base à frente.
No relatório divulgado nesta quinta-feira (27), o UBS BB ainda lista eleições gerais de outubro e seus efeitos sobre a percepção de risco, bem como o desenho do ajuste fiscal necessário, como principais temas para o segundo semestre.
A discussão sobre a continuidadre do ciclo de cortes nos juros, em meio à desaceleração do crescimento, também ganha destaque no relatório que traz perguntas-chave para reunião com executivos de mais de 50 empresas listadas na América Latina.
Na contramão dos bancões
A visão do UBS BB sobre o Brasil segue na contramão dos principais bancos gringos.
Na véspera, o Morgan Stanley rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight para equal-weight (neutro). Fatores como a desaceleração econômica doméstica, as preocupações fiscais persistente e o aumento da incerteza em relação à continuidade das políticas elevando os riscos de queda — especialmente nos setores mais expostos à economia — ganharam peso na avaliação do banco.
O movimento foi parecido com o do JP Morgan no início do mês. Em 11 de agosto, o banco rebaixou a recomendação das ações brasileiras de compra para neutra, citando piora do crédito local, proximidade das eleições e juros elevados por mais tempo.
A mudança de perspectiva levou a uma debandada dos investidores estrangeiros no mercado brasileiro. No mesmo dia de divulgação do relatório, os gringos sacaram R$ 4,72 bilhões da B3, a maior saída diária em cinco anos. Desde então, os estrangeiros já retiraram mais de R$ 15 bilhões da B3.
No acumulado de agosto, o saldo é negativo em mais de R$ 21 bilhões, o terceiro maior fluxo de saída mensal desde 2008, atrás apenas do meses de fevereiro e março de 2020, início da pandemia de Covid-19 — em que os “gringos” sacaram cerca de R$ 21 bilhões e R$ 24,2 bilhões, respectivamente.
No ano, porém, o saldo de capital estrangeiro ainda é positivo em R$ 15 bilhões.