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Um ano horrível para o açúcar e etanol? Datagro vê cenário menos sombrio, apesar dos ‘fantasmas’

26 out 2026, 16:35
cerradinho bioenergia açúcar
(Imagem: REUTERS/Nacho Doce)

O setor sucroenergético começou a safra 2026/27 cercado de incertezas, mas o cenário não é tão ruim quanto os temores iniciais sugeriam. Na avaliação de Plínio Nastari, presidente da Datagro, a expansão do etanol de milho abaixo do esperado, a maior competitividade do biocombustível e a recuperação dos preços internacionais do açúcar ajudam a aliviar parte das pressões sobre o mercado, apesar dos desafios climáticos e da demanda global ainda fraca.

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Durante a 26ª Conferência Internacional Datagro, Nastari relembrou os principais “fantasmas” que rondavam o setor no início da temporada: os efeitos da eletrificação da frota sobre o consumo de combustíveis, o avanço do etanol de milho, a estagnação da demanda mundial por açúcar, as preocupações com o abastecimento de diesel e a perspectiva de estoques elevados de etanol no Brasil.

“Bem, nem tanto”, ponderou o executivo ao avaliar se 2026 seria um ano horrível para o setor. Segundo ele, a expansão do etanol de milho ficou abaixo das projeções iniciais, enquanto a demanda por etanol hidratado ganhou força no mercado doméstico. As vendas do combustível superaram 2 bilhões de litros em agosto e setembro, e o consumo acumulado desde abril ficou 2,6% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

plinio nastari etanol gasolina
Plínio Nastari, presidente da Datagro (Foto: Divulgação)

Outro fator de sustentação é a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina. Na segunda semana de outubro, o biocombustível era mais competitivo em 64,3% da área de consumo de combustíveis do País, considerando a relação de preços de 70% entre etanol e gasolina. No mesmo período de 2025, essa proporção era de 38,6%.

Nastari também destacou o potencial de crescimento do consumo. Em setembro, 31,1% da frota de veículos flex utilizava etanol hidratado, abaixo do pico de 40,5% observado em 2018. Caso essa participação retornasse ao nível anterior, o consumo poderia aumentar em cerca de 700 milhões de litros por mês, segundo a estimativa apresentada pelo executivo.

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Os estoques de etanol também oferecem suporte aos preços. Na comparação anual, os volumes de hidratado estavam 2,2% menores, enquanto os de anidro recuaram 16,2%. Com isso, os estoques correspondiam a 70 dias de consumo de hidratado e 63 dias de anidro, abaixo dos 77 e 79 dias, respectivamente, registrados um ano antes.

A pressão sobre a oferta, porém, não se limita aos biocombustíveis. No Centro-Sul, as chuvas têm prejudicado o ritmo de colheita da cana-de-açúcar. Segundo Nastari, a região acumulava, em média, 28,6 dias perdidos por precipitações, contra 13,6 dias na média histórica. O atraso de aproximadamente 15 dias adicionais representa uma diferença potencial de cerca de 50 milhões de toneladas de cana, considerando o ritmo médio de moagem mencionado na apresentação.

O excesso de umidade também prolonga o desenvolvimento vegetativo da cana e favorece problemas fitossanitários, como a infestação de cigarrinhas e casos de podridão em áreas com colheita atrasada. Além de comprometer o ritmo operacional, essas condições podem prejudicar a qualidade da matéria-prima e dificultar a maturação dos canaviais.

Diante desse quadro, a Datagro estima que a moagem de cana no Centro-Sul alcance 640 milhões de toneladas na safra 2026/27, com crescimento de 2,5% na oferta de matéria-prima e mix de produção de açúcar de 46,7%. A produção açucareira é projetada em 38,4 milhões de toneladas, abaixo do volume do ciclo anterior.

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Para o etanol, a perspectiva é mais favorável. A produção no Centro-Sul deve chegar a 27,2 bilhões de litros, avanço de 3,5 bilhões de litros em relação à safra passada. Desse aumento, aproximadamente 1 bilhão de litros viria do etanol de milho e 2,5 bilhões de litros do etanol de cana.

No mercado internacional, os preços do açúcar também reagiram após as quedas recentes. Nastari destacou a mudança na posição dos fundos no mercado futuro de Nova York: de uma posição vendida de mais de 250 mil lotes para uma posição comprada de 225 mil lotes, uma inversão de aproximadamente 470 mil contratos. O movimento sinaliza uma mudança relevante no posicionamento dos investidores diante das perspectivas de oferta global.

A demanda mundial por açúcar, por sua vez, continua sendo um ponto de atenção. Segundo Nastari, o crescimento do consumo global na safra 2026/27 deve ficar em 1,1%, menos da metade do ritmo de 2,3% observado cerca de duas décadas atrás. Ainda assim, o executivo ressaltou que a flexibilidade do setor brasileiro para alternar o mix entre açúcar e etanol ajuda a amortecer os efeitos de um mercado açucareiro menos dinâmico.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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