Vai faltar dinheiro? ‘IPOs do trilhão’ podem ser armadilha para o mercado — e afetar as criptomoedas
O mercado financeiro se prepara para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX nesta sexta-feira (12). A empresa de foguetes do bilionário Elon Musk recebeu um valuation de US$ 1,75 trilhão — e ela não é a única com uma cifra deste tamanho.
A OpenAI, dona do ChatGPT, também foi avaliada em algo entre US$ 850 bilhões e US$ 1 trilhão no prospecto da oferta inicial. A Anthropic, dona do ecossistema Claude, também recebeu um valuation da ordem de US$ 985 bilhões na sua mais recente rodada de investimentos, podendo atingir US$ 1 trilhão após o IPO.
Isso sem falar das empresas que estão engordando seus números em meio ao apetite por teses relacionadas à inteligência artificial (IA). Entre elas, a Nvidia (NVDA), que passou a fazer parte do “clube do trilhão”, e o Google, que fará a emissão de US$ 80 bilhões em ações para financiar infraestrutura voltada a IA, entre outras empresas investindo pesado em data centers.
A pergunta que os analistas da Bitunix começaram a fazer agora é: vai faltar dinheiro para tanto investimento?
IPOs trilionários: Armadilha de liquidez?
Os analistas chamam atenção para um cenário macroeconômico de cada vez mais incertezas. E, em meio a esse cenário, os “IPOs do trilhão” podem drenar ainda mais a liquidez dos ativos de risco, em especial das criptomoedas.
“A disputa global pela infraestrutura de IA continua acelerando. Porém, os mercados começam a levantar uma questão importante: com os juros permanecendo elevados, os rendimentos dos títulos continuando a subir e uma onda de IPOs e ofertas secundárias drenando liquidez do sistema, haverá capital suficiente para sustentar avaliações tão elevadas?”, comentam os especialistas.
Isso porque o foco do mercado migrou das guerras que se desenrolam no Oriente Médio para a política monetária das principais economias do globo.
Após o payroll da última sexta-feira (5), os operadores do mercado financeiro recalibraram as expectativas de cortes de juros nos EUA em 2026. Em paralelo, o mercado de títulos soberanos já começa a reprecificar o risco até de novas elevações nas taxas.
“Caso a alta da energia continue pressionando a inflação subjacente, as apostas em uma postura mais agressiva do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) poderão aumentar ainda mais”, avalia a Bitunix.
O resultado dessa combinação é a falta de liquidez global. “Sob a ótica da estrutura de capital, o maior risco atualmente não é apenas a inflação ou a guerra, mas o fato de que a demanda global por capital está começando a superar a oferta de liquidez”, afirma a empresa.
O resultado disso são recursos sendo cada vez mais destinados para títulos soberanos e teses envolvendo IA e menos capital circulando para o mercado de criptomoedas, que já opera bastante pressionado devido à falta de catalisadores positivos de preço.
“Empresas de IA precisam captar recursos, governos precisam emitir dívida, choques energéticos continuam alimentando a inflação e, ainda assim, o Fed não consegue entregar o afrouxamento monetário que os mercados esperavam”.
Se a narrativa dos últimos anos foi de crescimento impulsionado pelas expectativas envolvendo os ganhos de eficiência da IA, a questão para os próximos meses será saber se essa tese conseguirá resistir a um custo de capital significativamente mais alto.