Vale (VALE3) teve queda exagerada após balanço, diz BBA; ação pode subir 20% e ainda pagar dividendos extraordinários
O Itaú BBA avalia que a queda de 6% das ações da Vale (VALE3) após os resultados do primeiro trimestre de 2026 foi exagerada e abriu uma oportunidade de entrada. Em relatório desta quinta-feira (30), o banco afirma que atualizou seu modelo diante de preocupações de investidores com a execução de custos, mas manteve a recomendação de outperform (desempenho acima da média).
Segundo o Itaú BBA, a pressão de custos – que ficou evidente com o último balanço -, impulsionada por um real mais forte e preços mais altos do petróleo (Brent), deve impactar negativamente despesas como C1 e frete. Ainda assim, esses efeitos tendem a ser praticamente compensados pela alta nas projeções para o preço do minério de ferro.
O banco destaca que elevou sua estimativa de custo C1 para 2026 para US$ 22,7 por tonelada, acima do guidance da Vale, de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada. A revisão considera a valorização do real e o impacto do diesel, que segue como um dos principais vetores de custo. Para o frete, a projeção subiu para US$ 20,5 por tonelada, refletindo a sensibilidade aos preços do Brent.
Por outro lado, o Itaú BBA aponta que a própria pressão de custos global tem sustentado preços mais elevados do minério de ferro. Com isso, o banco revisou para cima sua estimativa de preço médio da commodity em 2026, para US$ 102,5 por tonelada, e em 2027, para US$ 97,5 por tonelada.
Potencial de alta de 20% para VALE3
O BBA reiterou a recomendação de outperform para a companhia e estabeleceu preço-alvo de US$ 19 por ação para o fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de cerca de 20%. Apesar do leve corte em relação à projeção anterior, de US$ 19,5, o Itaú BBA vê a ação negociando a múltiplos atrativos, com EV/Ebitda de 4,7 vezes para 2026.
Além disso, o banco projeta que a Vale deve encerrar 2026 com dívida líquida expandida de US$ 15 bilhões. Considerando a política de alavancagem da companhia, o Itaú BBA avalia que eventuais excedentes de geração de caixa devem ser distribuídos aos acionistas por meio de dividendos extraordinários ou recompra de ações, resultando em um dividend yield médio próximo de 8% entre 2026 e 2030.
Mesmo com o cenário mais favorável para o minério de ferro, o Itaú BBA reduziu em 3% sua projeção de Ebitda da Vale para 2026, agora em US$ 17,6 bilhões. O ajuste reflete, principalmente, a marcação a mercado de preços mais baixos para cobre e ouro. Já a estimativa para 2027 foi mantida em US$ 18,3 bilhões.