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Veja 6 empresas que entraram em recuperação judicial este ano; ‘É só o começo’, diz Serasa

29 mar 2023, 18:14 - atualizado em 13 jun 2023, 14:18
recuperação judicial
Pedidos de recuperação judicial totalizaram 195 entre janeiro e fevereiro de 2023 (Imagem: Unsplash)

Nesta semana, mais duas empresas pediram socorro à Justiça: a Cervejaria Petrópolis e a varejista Amaro, com requisições de recuperação judicial e extrajudicial, respectivamente. Os casos não são isolados: 2023 tem se mostrado o “ano da quebradeira” para algumas empresas brasileiras.

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Entre janeiro e fevereiro, os pedidos de recuperação judicial subiram 59,8%, para 195, frente ao mesmo período de 2022, de acordo com o Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian. O número é o maior dos últimos quatro anos e iguala ao registrado em 2018.

De acordo com o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, a estagnação econômica do país, combinada com a inflação e os juros altos, influenciam na alta da inadimplência, tanto para empresas como para consumidores.

“No caso dos empreendimentos, por acumularem uma quantidade enorme de dívidas, acabam entrando em risco de insolvência e alimentando as estatísticas de falências e de recuperações judiciais”, diz.

O advogado e sócio da Mendes Advocacia & Consultoria, Lucca Mendes, ainda afirma que a crescente nos pedidos não se limita aos desafios que afetam setores específicos. Segundo ele, estão relacionados com garantias e previsões legais que privilegiam a empresa, como a obtenção de tutelas cautelares preparatórias.

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“Essas medidas antecipam consequências jurídicas de um futuro processamento da recuperação judicial, como a suspensão de ações de cobrança e a liberação de medidas constritivas”, diz.

Inadimplência crescente

Rabi, da Serasa, afirma que o ciclo de alta da inadimplência começou em setembro de 2021, e a tendência é que continue crescendo de forma gradual. Apesar disso, não deve colocar em risco o sistema financeiro, ou seja, está longe de causar uma crise de crédito e no sistema bancário.

O que muda nesse cenário é a dificuldade de acessar o crédito. “As taxas de empréstimos estão subindo cada vez mais, mesmo com a Selic estagnada há meses”, explica.

O indicador da Serasa Experian também mostra que as micro e pequenas empresas registraram o maior número de pedidos de recuperação. No entanto, há um crescimento relevante nas requisições pelas grandes empresas em 2023, totalizando 24 — o maior nos últimos três anos. Para Rabi, esse aumento preocupa.

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Quando o número de pedidos de recuperação judicial e falência aumenta entre as grandes empresas, acende o sinal de alerta, pois elas teriam maior capacidade de atravessar esses cenários econômicos incertos“, adverte o economista.

6 empresas que pediram recuperação judicial em 2023

Com dívidas de cerca de R$ 4 bilhões, o Grupo Petrópolis, dono da Itaipava, apresentou na segunda-feira (27) pedido de recuperação judicial, a fim de evitar o vencimento de uma dívida de R$ 105 milhões.

A companhia não informou a dívida com cada um de seus credores, mas afirma dever R$ 2 bilhões com obrigações financeiras e de mercados de capitais. Além disso, as dívidas com terceiros somam cerca de R$ 2,2 bilhões.

Já a rede varejista Amaro solicitou um pedido de recuperação extrajudicial. As dívidas somam R$ 244,5 milhões, sendo R$ 151,8 milhões em dívidas bancárias e R$ 92,8 milhões com fornecedores, de acordo com a Agência Estado.

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Dentre os motivos para que o pedido seja concedido rapidamente, a companhia cita ações que sofre na Justiça, “que colocam em risco as atividades empresariais, em virtude da iminência de atos de constrição de patrimônio, falência e/ou despejo das lojas”.

Além da cervejaria e da varejista, outras empresas de destaque no mercado entraram com pedido de recuperação judicial na Justiça este ano.

Americanas (AMER3)

Em 11 de janeiro, o ex-CEO da Americanas (AMER3), Sérgio Rial, afirmou ter encontrado “inconsistências em lançamentos contábeis” nos balanços corporativos da companhia no valor de aproximadamente R$ 20 bilhões.

Segundo a varejista, o rombo foi causado principalmente por dívidas com bancos em operações de risco sacado.

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Oito dias após o anúncio, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial da Americanas. A companhia alegou ter dívida R$ 43 bilhões com 16,3 mil credores.

No fim de março, a varejista apresentou um plano de recuperação, que inclui a venda de ativos, leilão reverso, conversão de dívidas em ações e o aporte de R$ 10 bilhões. O processo segue em vigor.

Oi (OIBR3)

Meses após sair de um processo que durou seis anos, a Oi (OIBR3) enviou à Justiça do Rio de Janeiro um novo pedido de recuperação judicial em março de 2023. A requisição foi aceita e segue em vigor.

Segundo a companhia, a aproximação da data de encerramento da tutela cautelar de urgência e as negociações ainda em andamento com os credores culminaram em um novo pedido de recuperação.

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Além disso, a Oi ressaltou o cenário econômico-financeiro da companhia e a necessidade de manutenção da proteção legal contra eventuais execuções de credores.

Raiola

Em fevereiro, a Raiola, que produz azeites e azeitonas em conserva, entrou com um pedido de recuperação no valor de R$ 153 milhões. O pedido foi deferido com tutela de urgência pela 3ª Vara de Recuperações e Falências de São Paulo.

A companhia explica que a explosão de preços após o choque de oferta pressionou seu capital de giro, levando-a aos empréstimos — e, consequentemente, às dívidas.

A Rial admitiu ter dívidas de R$ 44 milhões com agentes financeiros e de R$ 18 milhões com fornecedores de embalagens, matéria-prima e serviços.

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Nexpe (NEXP3)

Nexpe (NEXP3), tradicional empresa do setor imobiliário que até ano passado atendia por Brasil Brokers, ajuizou pedido de recuperação judicial em fevereiro deste ano.

A companhia destacou impactos negativos causados pelas contingências trabalhistas do grupo. A Nexpe também mencionou a queda de faturamento que o mercado imobiliário sofreu durante os anos da pandemia de Covid-19.

A empresa disse que a recuperação judicial acontece apesar dos esforços adotados pela administração do grupo nos últimos meses, em conjunto com seus assessores financeiros e legais.

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Editora-assistente
Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.
giovana.leal@moneytimes.com.br
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Editora-assistente no Money Times e graduada em Jornalismo pela Unesp - Universidade Estadual Paulista. Atua na área de macroeconomia, finanças e investimentos desde 2021.
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