Inteligência Artificial

Profecia autorrealizável? Vencedor do Nobel de Economia lança alerta sobre o medo da população em relação à IA

01 jul 2026, 12:10 - atualizado em 01 jul 2026, 12:23
vendedor do Nobel de economia. Robert Shiller, na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial.
Robert Shiller na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial de 2012. Imagem: World Economic Forum / Moritz Hager

Com o avanço acelerado da inteligência artificial no cotidiano e as crescentes preocupações com a substituição da mão de obra humana por sistemas automatizados, o economista vencedor do Prêmio Nobel, Robert J. Shiller, argumenta que o aspecto mais preocupante desse processo não é a tecnologia em si, mas o medo que ela desperta nas pessoas.

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Em recente artigo de opinião publicado no jornal The New York Times, Shiller explicou que, assim como muitos outros, ele reconhece que o desenvolvimento da IA pode impactar o mercado de trabalho.

No entanto, não acredita que a culpa dessa substituição seja totalmente da tecnologia, e sim do próprio pânico causado por essa possibilidade.

O medo da IA como ferramenta

Para Shiller, as narrativas que ganham força no imaginário coletivo podem influenciar a economia ao moldar as expectativas da população e afetar decisões voltadas para o futuro.

“Quando milhões de pessoas tomam milhões de decisões baseadas em expectativas negativas, existe um risco que esse medo pode ajudar a torná-lo realidade”, diz Shiller.

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O economista argumenta que, desde o tempo de Aristóteles, o ser humano manifesta o medo de ser substituído por alguma tecnologia mais eficiente.

Na Grande Depressão de 1929, por exemplo, além de fatores como falta de regulações bancárias e políticas monetárias que levaram a falências bancárias generalizadas, um regime de tarifas punitivas que afetou o comércio global e entre outros, Shiller acredita que as narrativas negativas em relação a novas tecnologias impactaram o momento econômico.

Dado que na época, apenas 2% dos americanos detinham ações de empresas de capital aberto, a quebra da bolsa não foi a causa única da Grande Depressão, de acordo com estudos da economista Christina D.Romers.

Ela considera que o estopim da crise foi o colapso no consumo americano, que seguiu a quebra da bolsa, o qual Christina atribui à incerteza dos consumidores sobre o futuro de sua renda.

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Com histórias que incentivavam a tecnofobia circulando nos meios de comunicação e na literatura da época, a Grande Depressão acabou em 1939, mas a ideia de desemprego por culpa do desenvolvimento tecnológico continuava na consciência coletiva dos americanos.

Cenário atual

Com o avanço da inteligência artificial cada vez mais inserida em diferentes áreas da sociedade, o medo da população em relação ao futuro também é crescente.

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De acordo com uma pesquisa feita em março deste ano, da Universidade de Quinnipiac, nos Estados Unidos, 55% dos americanos acreditam que a IA vai trazer mais impactos negativos do que positivos no dia a dia.

A mudança de visão em relação a tecnologia é alarmante, quando comparada a abril de 2025, na ocasião 44% dos entrevistados pensavam que a IA poderia causar mais bem do que mal para sua vida.

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Segundo dados dessa mesma pesquisa, 51% dos americanos acreditam que o ritmo de desenvolvimento da IA está mais acelerando que o esperado.

Recentemente a Anthropic, empresa de IA dona do Claude, fez um comunicado propondo uma pausa global no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.

A proposta é que as empresas trabalhem em conjunto, pois se apenas uma diminuir o seu ritmo ela vai ser ultrapassada pela concorrência e a pausa não será efetiva.

A empresa alega que a IA está próxima de um ponto de retroalimentação, no qual o próprio sistema se torna capaz de se tornar mais inteligente, e pode escapar o controle humano.

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Para Shiller o máximo que a população pode fazer em meio a essa onda de medo sobre o avanço da tecnologia é “apelar diretamente para os líderes do Vale do Silício, que vêm promovendo essas narrativas negativas com tanto vigor”.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

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Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Universidade Sapienza de Roma. É estagiária de redação na editoria de Trends do Money Times e Seu Dinheiro.
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