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Vinci acusa fundos da Reag de ocultarem patrimônio de família do agro

01 jul 2026, 15:00 - atualizado em 01 jul 2026, 15:53
Reag Investimentos 
(Imagem: Divulgação)

A Vinci Compass, uma das maiores gestoras do Brasil, está acusando estruturas ligadas à Reag de terem sido usadas para ocultar patrimônio de integrantes da família Arantes, tradicional grupo do agronegócio com dívidas bilionárias.

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A disputa aparece em um processo que tramita na 7ª Vara Cível do Foro Central Cível de São Paulo. Em decisão de 22 de junho de 2026, a Justiça determinou a expedição de ofícios à CBSF Trust Administradora, nova denominação da Reag Administradora, e ao liquidante da CBSF, antiga Reag Trust, para que apresentassem documentos sobre dois fundos, para identificar seus cotistas: o Bansko FIP e o Orchid FII.

Os dois fundos, supostamente ainda controlados pela família, estariam no fim de uma estrutura que controlaria a Grancarnes e o Frigorífico Monte Verde, no Mato Grosso, seu principal ativo operacional.

O pano de fundo da disputa ganhou novo peso após o Banco Central apontar a Grancarnes entre as empresas suspeitas de terem tomado empréstimos fictícios no caso do Banco Master. Segundo o BC, essas operações teriam permitido o desvio de R$ 11,5 bilhões por meio de fundos de investimento. A presença da companhia na lista não significa, por si só, conclusão de irregularidade pela empresa.

O que diz a Vinci

O autor do processo é o FIDC Ativos Especiais II, da Vinci SPS, área de special situations da gestora. No pedido de tutela, a gestora demandou urgência, alegando que a liquidação poderia dificultar a disponibilização dos documentos.

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O FIDC também pediu pelo bloqueio de ativos financeiros por 30 dias e a averbação premonitória na matrícula do Frigorífico Monte Verde.

Apesar de ter realizado a intimação e demandado a exibição dos documentos, o juiz negou o arresto e o pedido de averbação, alegando que ainda não havia prova concreta de que os requeridos estavam dilapidando ou desviando bens.

A medida foi pedida pela Vinci para identificar cotistas e beneficiários finais dos dois fundos. Segundo a gestora, os veículos teriam ligação com a família Arantes e poderiam ajudar a esclarecer a estrutura que, na visão da credora, teria sido montada para blindar patrimônio.

O caso envolve uma dívida que, de acordo com o processo, já supera R$ 200 milhões. A cobrança tem origem em execução ajuizada em 2019, inicialmente vinculada à Fênix Securitizadora. Em momento posterior, não identificado nos documentos analisados, a posição credora passou ao Ativos Especiais II, fundo de special situations da gestora.

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Em fevereiro deste ano, a Vinci SPS já atuava no processo pedindo a inclusão da Grancarnes Indústria e Comércio de Carnes, da Grancarnes Holding e de fundos ligados à Reag no polo passivo.

A Grancarnes é apontada pela Vinci como a empresa que passou a explorar a principal planta industrial antes ligada ao Grupo Arantes, em Nova Monte Verde, no Mato Grosso. Nas demonstrações financeiras do Silistra Fiagro FIP, a companhia é descrita como uma sociedade anônima de capital fechado com atividade principal de frigorífico e abate de bovinos.

Segundo esses documentos, o Silistra adquiriu a totalidade das cotas da Grancarnes em 27 de abril de 2023, por R$ 300 mil. Meses depois, em agosto de 2023, a empresa foi transformada em sociedade por ações. Em dezembro do mesmo ano, o fundo integralizou R$ 45,9 milhões em direitos creditórios no capital da companhia.

Para a Vinci, porém, a mudança formal de controle não afastaria a ligação da família Arantes com a operação. A gestora sustenta que a estrutura envolvendo Grancarnes, Grancarnes Holding e fundos de investimento teria sido montada para ocultar os beneficiários finais e blindar patrimônio.

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A decisão registra ainda a alegação de que Aderbal Luiz Arantes Neto, filho de Aderbal Luiz Arantes Junior, ainda atuaria como diretor de fato da Grancarnes.

O que alega a Vinci

Cadeia societária apontada pela gestora até o Frigorífico Monte Verde

Família Arantes

Aderbal Jr. e Aderbal Neto — controle e benefício final alegado

Bansko FIP

Patrimônio líquido negativo na CVM; investimento pequeno na Grancarnes Holding

Grancarnes Holding S.A.

Antiga NK 291 Empreendimentos e Participações

Silistra Fiagro FIP

Comprou 100% das cotas da Grancarnes em 27/04/2023

Orchid FII

Proprietário do Frigorífico Monte Verde

Grancarnes Indústria e Comércio de Carnes S.A.

Frigorífico / abate de bovinos em Nova Monte Verde (MT)

Frigorífico Monte Verde

Imóvel e planta operacional

Cadeia societária apontada pela Vinci (participações)

A familia Arantes e empresas ligadas ao grupo aparecem associadas, já há algum tempo, a passivos bilionários. Matéria do portal De Olho nos Ruralistas de 2019 apontava o grupo como um dos maiores devedores do agro, com dívida total atribuída de R$ 22,3 bilhões. Em consulta atual na dívida ativa da União, nomes ligados à família, como o da Arantes Alimentos, também aparecem com débitos bilionários.

Dois fundos da Reag

A Vinci também afirma, no processo, que a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM pelo Banco Central aumentou o risco de perda de documentos relevantes para identificar os verdadeiros titulares dos fundos. Por isso, pediu urgência na intimação da administradora e do liquidante, a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo, que tem como responsável técnico Antônio Pereira de Souza.

A decisão judicial menciona três fundos entre os requeridos: o Silistra Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (esse administrado pela Aguila Capital), o Bansko Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e o Orchid Fundo de Investimento Imobiliário.

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Dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários mostram comportamentos distintos entre esses veículos.

O Orchid FII aparece nos informes mensais da CVM administrado pela Reag DTVM, entre 2024 e 2026. O patrimônio líquido do fundo ficou em torno de R$ 117 milhões ao longo de 2024, subiu para cerca de R$ 125 milhões no início de 2025 e permaneceu nesse patamar até maio de 2026. Em janeiro de 2024, o PL era de R$ 117,35 milhões; em dezembro de 2024, de R$ 117,28 milhões; em janeiro de 2025, de R$ 124,83 milhões; e em maio de 2026, de R$ 124,93 milhões.

Já o Bansko FIP não mostra patrimônio relevante nos informes quadrimestrais da CVM. O fundo aparece com patrimônio líquido negativo ao longo de todo o período analisado: -R$ 71 mil em abril de 2024, -R$ 195 mil em dezembro de 2024, -R$ 240 mil em dezembro de 2025 e -R$ 308 mil em abril de 2026.

O movimento mais expressivo aparece no Silistra Fiagro FIP. Segundo os informes quadrimestrais da CVM, o fundo saiu de um patrimônio líquido de apenas R$ 8,9 mil em abril de 2024 para R$ 46,9 milhões em agosto do mesmo ano. Depois disso, permaneceu relativamente estável: R$ 46,87 milhões em dezembro de 2024, R$ 47,14 milhões em dezembro de 2025 e R$ 47,04 milhões em abril de 2026.

Procuradas, Reag e seu liquidante não se manifestaram até a publicação deste texto. A Vinci afirmou que não irá comentar. A reportagem não conseguiu contato com a família Arantes. Os espaços seguem abertos.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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