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VTEX (V2TX34): CEO diz que já questionou futuro da empresa com IA e vê “reset competitivo” no setor

17 abr 2026, 11:36 - atualizado em 17 abr 2026, 11:36
(Imagem: Youtube/Vtex)

O avanço da inteligência artificial (IA) tem provocado uma reflexão profunda até entre líderes de empresas de tecnologia. O CEO da VTEX, Geraldo Thomaz, afirmou que chegou a questionar o próprio futuro da companhia diante das mudanças. “Eu me perguntei se a VTEX, com a IA, tinha futuro”, disse.

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A declaração foi dada em entrevista ao Money Times, durante o VTEX Day, realizado nesta quinta-feira (16), evento em que a companhia tradicionalmente apresenta seus principais lançamentos e apostas estratégicas.

Neste ano, a empresa colocou a IA no centro da sua plataforma e anunciou uma reformulação ampla do negócio, com novas soluções e uma mudança de posicionamento — de um software tradicional para uma arquitetura integrada e orientada por inteligência artificial.

O movimento ocorre em um momento em que empresas de software vêm sendo pressionadas globalmente. Nos últimos meses, investidores passaram a reavaliar o setor diante da rápida evolução de ferramentas de IA generativa, capazes de executar tarefas antes restritas a plataformas pagas, reduzir barreiras de entrada e acelerar o desenvolvimento de soluções.

Segundo Thomaz, o nível de incerteza atual é incomum até para o setor de tecnologia — e aparece justamente em um momento em que as empresas tentam redefinir suas estratégias. “Eu não sei como será o ano que vem. Acho que ninguém sabe. A velocidade com que as coisas estão mudando é muito grande”, afirmou.

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A VTEX, empresa brasileira listada na NYSE, atua com uma plataforma de comércio digital que permite a grandes empresas operar lojas online, marketplaces e estratégias omnichannel, conectando diferentes etapas da jornada de compra — como catálogo, checkout, logística e pagamentos — em um único sistema.

No VTEX Day, a companhia apresentou o chamado “VTEX Vision 2026”, que reorganiza a plataforma em três frentes principais — comércio, experiência do cliente e monetização — todas baseadas em IA e operando de forma integrada.

Entre os destaques, está o lançamento de um sistema operacional de comércio nativo em IA, com agentes autônomos capazes de executar tarefas, identificar oportunidades e otimizar operações em tempo real.

Ao comentar o cenário, Thomaz indicou que a IA não representa apenas uma evolução incremental, mas uma mudança estrutural na forma como o software é construído e entregue. “O custo de desenvolver software tende a cair muito, o tempo de desenvolvimento também. Isso muda completamente a dinâmica competitiva”, disse.

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IA deve gerar període de transição

Dentro desse contexto, o executivo avalia que o impacto da IA deve gerar um período de transição, no qual nem todos os modelos desaparecem imediatamente, mas muitos passam a ser pressionados.

“Não é que tudo vai acabar de um dia para o outro. Existe uma inércia, existe uma resistência. Empresas e clientes não mudam sistemas críticos da noite para o dia. Mas, ao mesmo tempo, quando a mudança acontece, ela pode ser muito rápida”, afirmou.

Segundo ele, essa resistência tende a diminuir à medida que os ganhos se tornam evidentes. “Quando você começa a ver ganhos reais — mais conversão, mais eficiência, menos custo — a adoção acelera. E aí muda tudo muito rápido.”

Apesar das dúvidas iniciais, o CEO afirma que a VTEX buscará se posicionar como protagonista dessa nova fase, incorporando IA diretamente ao produto e conectando operação, experiência do cliente e geração de receita.

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“A inteligência artificial deixa de ser uma camada adicional e passa a ser o coração da operação”, disse o executivo, ao comentar a estratégia da companhia apresentada no evento.

Na visão de Thomaz, o setor deve passar por uma espécie de “reset competitivo”, no qual empresas que conseguirem evoluir rapidamente tendem a capturar valor, enquanto outras podem perder relevância.

“Vai ter uma reorganização. Quem se adaptar rápido pode sair muito mais forte. Quem não conseguir, pode perder relevância”, afirmou.

Ele ressalta que o desafio deixou de ser apenas tecnológico e passou a ser estratégico. “Não é só sobre ter a tecnologia, é sobre como você aplica isso, com que velocidade, e o impacto real que você gera para o cliente.”

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Para o executivo, o futuro do setor será definido menos pela existência da tecnologia em si e mais pela capacidade de execução. “No fim do dia, quem entregar mais valor, de forma mais rápida, vai ganhar”, concluiu.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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