Vulcabras (VULC3): CEO explica efeitos da guerra e da Copa no 2T26; veja o que dizem analistas
As ações da Vulcabras (VULC3) operam em alta moderada no pregão desta quarta-feira (5), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26). Os resultados vieram mistos, na leitura de analistas do mercado, que ainda assim mantêm recomendações de compra para a varejista.
Por volta de15h15 (horário de Brasília), as ações da Vulcabras avançavam 0,51%, cotadas a R$ 13,82. Acompanhe o tempo real.
O BTG Pactual pontua que a companhia, dona das marcas Olympikus e Mizuno, entregou mais um trimestre de crescimento consistente, com receita líquida de R$ 995 milhões, avanço de 11% em base anual, impulsionada principalmente pelo avanço de 13% das vendas de calçados esportivos.
Por outro lado, as margens sofreram leve pressão devido ao aumento dos custos de mão de obra, frete e insumos derivados de petróleo, mas o banco chama atenção para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente, que ainda assim cresceu 9% ao ano, alcançando R$ 209 milhões.
Ao Money Times, o CEO da companhia, Pedro Bartelle, afirmou que o ano de 2026 vem se mostrando muito mais instável e complexo do que o inicialmente esperado, o que demandou adaptações da empresa, principalmente após o início do conflito no Oriente Médio, que levou a uma alta das matérias-primas e dúvidas sobre abastecimento.
Apesar disso, Bartelle afirma que a Vulcabras é uma empresa completamente verticalizada, que domina todas as etapas do processo, desde a criação, confecção das ferramentas e produção, o que viabiliza ajustes necessários.
“Isso nos dá uma agilidade grande e é o que a gente fala como um diferencial competitivo forte que a Vulcabras tem. Conseguimos adaptar os preços tiveram que ser reajustados, coleções tiveram que ser revistas, algumas postergadas, outras antecipadas. Então, tivemos que mexer bastante no nosso negócio”, disse em entrevista.
Ele aponta que nem tudo foi possível colocar nos preços, mas ainda assim afirma estar satisfeito com os resultados que a Vulcabras entregou.
Vulcabras confirma expectativas de trimestre mistro
A XP Investimentos avalia que, conforme já era esperado, a Vulcabras reportou resultados mistos no trimestre, com crescimento sólido da receita em meio a um ambiente competitivo ainda desafiador, mas com custos mais elevados relacionados aos preços do petróleo trazendo novamente pressão sobre as margens.
“Apesar do fluxo de clientes mais fraco durante a Copa do Mundo e da forte concorrência persistente, a companhia sustentou crescimento de dois dígitos, embora custos mais elevados relacionados aos derivados de petróleo (matérias-primas, embalagens e frete) e o aumento do absenteísmo, aliados à necessidade de mão de obra terceirizada adicional, tenham pesado sobre as margens”, dizem os analistas.
O CEO, Pedro Bartelle, avaliou a Copa do Mundo como um evento negativo, mesmo com a maior exposição do segmento esportivo durante o torneio. Isso porque o fluxo de consumidores nas lojas caiu muito, consumidores permaneceram em casa assistindo aos jogos e shoppings registraram menor movimentação.
A equipe de analistas da XP pondera que a pressão sobre as margens pode ser uma preocupação de curto prazo para os investidores, mas consideram que é amplamente impulsionada por fatores externos, sem mudanças estruturais na tese, o que leva a casa a manter a recomendação de Compra.
Itaú BBA revisa estimativas
Para os analistas do Itaú BBA, o trimestre da Vulcabras foi levemente negativo. A demonstração de resultados veio mais fraca do que o esperado, enquanto o fluxo de caixa livre (FCF) ficou acima da previsão da casa.
Os principais pontos positivos do trimestre, na leitura do BBA, foram a geração de caixa de R$ 92 milhões, medida pela variação da dívida líquida, ante expectativa de consumo de caixa de R$ 56 milhões no trimestre, com o desempenho acima do esperado explicado principalmente por tributos a recuperar, e melhora sequencial da já elevada relação entre Ebitda e fluxo de caixa operacional (antes do capex), que passou de 74% nos últimos 12 meses no 1T26 para 85% no 2T26.
Os analistas atualizaram as projeções e agora esperam lucro líquido de R$ 565 milhões em 2026 e R$ 642 milhões em 2027, 3,3% e 4,8% abaixo do consenso, respectivamente, o que implica que a ação está sendo negociada atualmente a 7,7 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L) e 6,8 vezes o lucro estimado para 2027.
“Embora consideremos a avaliação atual pouco exigente, acreditamos que o interesse dos investidores permanece limitado, uma vez que outras empresas também estão sendo negociadas a múltiplos descontados”, dizem os analistas.
A companhia também anunciou um novo programa de recompra de ações com duração de 18 meses, de até 15 milhões de ações, equivalente a apenas cerca de 5% do seu valor de mercado atual.
Após uma forte distribuição de dividendos em 2025, o BBA um dividend yield (rendimento de dividendos) mais modesto, entre 3% e 4%, em 2026 e 2027, e acreditam que o interesse dos investidores pela ação deverá aumentar quando o retorno com dividendos voltar para níveis próximos de um dígito alto.
O Itaú BBA mantém a classificação Outperform (equivalente à compra) para a ação, com preço-alvo de R$ 20.
O Santander, que também tem classificação Outperform, com preço-alvo de R$ 26, coloca que a Vulcabras apresentou um balanço em linha na maior parte dos indicadores, com a receita em linha com as estimativas do Santander e do consenso, enquanto a rentabilidade ficou ligeiramente abaixo do esperado devido à renovada pressão sobre a margem bruta.
“No geral, embora o crescimento da receita tenha permanecido resiliente e o balanço patrimonial continue melhorando, vemos o momento da recuperação da margem bruta, que permanece pressionada desde 2025, como o principal ponto de debate”, ponderam os analistas.