Weg (WEGE3): BofA vê pressão nas margens e melhora só em 2028
O Bank of America (BofA) reiterou a recomendação neutra para as ações da Weg (WEGE3) e manteve o preço-alvo em R$ 53, o que representa um potencial de valorização de 13,3% sobre o fechamento de quarta-feira (1º), de R$ 46,79. Apesar de seguir otimista com a história de crescimento de médio prazo da companhia, o banco avalia que esse cenário já está refletido no valuation das ações.
Segundo os analistas, a expansão da capacidade da divisão de transmissão e distribuição (T&D), voltada ao setor elétrico, deve pressionar as margens da companhia no curto prazo, antes de se transformar em um vetor positivo para os resultados a partir de 2028.
“A expansão da capacidade de T&D deve pesar sobre as margens do segundo semestre de 2026 antes de se tornar um fator favorável em 2028”, escreveram os analistas.
O BofA revisou suas projeções para incorporar uma expansão mais conservadora da capacidade de produção. A expectativa é que a Weg amplie sua capacidade no Brasil entre o terceiro e o quarto trimestre deste ano, seguida por México e Colômbia no início de 2027, movimento que deve dobrar a capacidade da divisão de T&D, atualmente responsável por mais de 20% da receita da companhia.
Na avaliação do banco, esse processo deve reduzir a margem Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) do segundo semestre de 2026 em cerca de 1 ponto percentual, uma vez que parte dos custos fixos — especialmente com pessoal — será incorrida antes da plena geração de receitas pelos novos projetos.
| Projeção | 2026E | 2027E | 2028E |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 41,2 bi (+1,0%) | R$ 47,5 bi (-1,0%) | R$ 54,2 bi (-5,7%) |
| Ebitda | R$ 9,0 bi (-1,2%) | R$ 10,9 bi (-2,9%) | R$ 12,7 bi (-5,8%) |
| Margem Ebitda | 21,7% (-0,5 p.p.) | 22,9% (-0,5 p.p.) | 23,4% (estável) |
| Lucro líquido | R$ 6,4 bi (+0,2%) | R$ 7,8 bi (+0,7%) | R$ 9,0 bi (-2,2%) |
| EPS | R$ 1,53 | R$ 1,87 | R$ 2,15 |
Por outro lado, os analistas afirmam que esse efeito tende a ser parcialmente compensado pelo reconhecimento contábil de receitas pelo método Percentage of Completion (PoC), utilizado em projetos de longo prazo. Com isso, parte da receita e do Ebitda será registrada ainda durante a execução dos contratos, reduzindo o impacto inicial da expansão da capacidade.
A partir de 2028, o banco espera que o efeito se inverta, com a maior utilização das fábricas adicionando cerca de 1 ponto percentual às margens da empresa, impulsionadas pelo maior peso da divisão de transmissão e distribuição, considerada estruturalmente mais rentável.
Revisão de projeções
O BofA elevou marginalmente sua estimativa de lucro por ação (EPS) para 2027, de R$ 1,85 para R$ 1,87, mas reduziu a projeção para 2028, de R$ 2,20 para R$ 2,15.
Os analistas também aumentaram o custo de capital próprio (COE) utilizado no modelo de avaliação, de 10,4% para 10,6%, refletindo um cenário de juros mais elevados. Ao mesmo tempo, fatores como um real mais depreciado — favorável às receitas — e uma Selic maior — que beneficia a posição de caixa líquido da companhia — ajudaram a compensar parte desse efeito, mantendo o preço-alvo inalterado em R$ 53.
Para os ADRs negociados nos Estados Unidos, o preço-alvo foi reduzido de US$ 10,60 para US$ 10,30, principalmente em função da desvalorização cambial.
Apesar de enxergar uma aceleração do crescimento nos próximos anos, o banco considera que o mercado já precifica boa parte desse potencial. As ações negociam atualmente a cerca de 25 vezes o lucro estimado para 2027, patamar próximo da média histórica da companhia, justificando a manutenção da recomendação neutra.