XP vê temporada de resultados do 1T26 ainda fraca no Brasil
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) foi mais uma vez fraca para as empresas brasileiras, na avaliação da XP Investimentos. Segundo a corretora, o porcentual de companhias que entregaram surpresas positivas de lucro permaneceu em níveis historicamente baixos.
Dentro da cobertura da XP, 24% das empresas superaram as estimativas de receita, enquanto 28% ficaram abaixo das projeções e 48% vieram em linha. Quanto ao Ebitda, 28% superaram as expectativas, 16% decepcionaram e 56% ficaram dentro do esperado.
Já no lucro líquido, a XP aponta que 45% das companhias entregaram resultados acima das estimativas, enquanto 30% vieram abaixo e 25% ficaram em linha.
A corretora destaca que, em comparação com o trimestre anterior, as tendências de receita pioraram, com aumento da parcela de decepções e redução das surpresas positivas. Por outro lado, os números de Ebitda e lucro líquido apresentaram leve melhora, com avanço marginal na proporção de resultados positivos.
Commodities pressionam lucro consolidado
Na comparação anual, a XP vê resiliência na dinâmica de receita, mas desempenho mais fraco nas linhas de lucro consolidado, especialmente por conta da pressão exercida pelas commodities.
As empresas sob cobertura da corretora registraram crescimento consolidado de 5,5% na receita e de 2,9% no Ebitda em relação ao primeiro trimestre de 2025.
A XP afirma que os setores defensivos foram os principais destaques positivos da temporada, com crescimento disseminado e expansão de dois dígitos em Ebitda e lucro líquido.
Reação negativa da bolsa aos balanços
Na bolsa, a temporada trouxe um saldo levemente negativo, segundo a XP. As ações do Ibovespa tiveram reação média de -0,25% no pregão seguinte à divulgação dos resultados, desempenho pior do que a média de -0,16% observada nos últimos cinco trimestres.
A corretora também observa aumento da dispersão entre empresas que surpreenderam positivamente e aquelas que frustraram o mercado.
As ações de companhias com resultados abaixo das expectativas tiveram retorno médio de -1,47% após os balanços, enquanto as empresas com surpresa positiva de lucro avançaram, em média, 0,73%.
Energia lidera revisões positivas
A XP também revisou levemente para cima as estimativas de lucro por ação para 2026 e 2027, com altas de 0,7% e 1,8%, respectivamente.
Segundo a corretora, o setor de energia segue como principal responsável pelo movimento positivo, impulsionado pela continuidade do conflito no Oriente Médio e pelos preços elevados do petróleo.
Além de energia, a XP vê tendência construtiva de revisões em Consumo Discricionário, Saúde e Telecomunicações.
Em contrapartida, Materiais e Industriais apareceram como os principais destaques negativos.
Entre os setores com melhor desempenho operacional no 1T26, a XP destacou Propriedades Comerciais, Locadoras de Veículos e Construtoras de baixa renda.
Já Bens de Capital e Papel & Celulose ficaram entre os segmentos com resultados mais fracos.