Zema mira STF e diz que Senado “deu recado” ao recusar Messias: ‘Intocáveis vão cair’
Depois de o Senado rejeitar, pela primeira vez em mais de um século, uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, elevou o tom contra a Corte e defendeu mudanças profundas no Judiciário brasileiro. Em entrevista ao programa Market Makers, que foi ao ar nesta quarta-feira (29), o político classificou o episódio como um marco no cenário político e eleitoral.
“Essa derrota lá no Senado é só o primeiro passo de uma mudança muito grande que vem pela frente”, afirmou. “Os parlamentares já estão sintonizados com a eleição. Aprovar um nome indicado pelo governo seria perder voto.”
Zema argumenta que o movimento do Senado reflete um ambiente político mais sensível ao eleitorado e indica uma possível inflexão na relação entre Legislativo e Judiciário. Segundo ele, o STF tem acumulado poder excessivo e precisa ser reformulado.
“Temos pessoas lá no Supremo que, em qualquer país mais sério, já teriam sido colocadas para fora pelo que fizeram”, disse. “É uma afronta ao brasileiro que trabalha, paga imposto e presta contas.”
Propostas para o STF
Entre as mudanças defendidas pelo governador está a criação de uma idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, o que, na prática, limitaria o tempo de permanência no cargo. Ele também propõe o fim das decisões monocráticas.
“Não faz sentido um ministro, sozinho, anular uma decisão tomada por centenas de parlamentares eleitos. Se o Supremo quiser derrubar algo, que seja no colegiado”, afirmou.
Outra proposta é alterar o modelo de indicação, hoje concentrado no presidente da República. Zema sugere a criação de uma lista tríplice formada por instituições como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“O presidente continuaria escolhendo, mas a partir de nomes previamente avaliados. Isso elevaria muito a qualidade das indicações”, disse.
Discurso eleitoral e polarização
Na entrevista, Zema também reforçou seu posicionamento como pré-candidato de direita e afirmou que a disputa presidencial de 2026 deve se concentrar entre dois polos ideológicos.
“Vamos ter um candidato da direita e um da esquerda no segundo turno. Não tem como ser diferente”, afirmou. Segundo ele, a tendência é de união entre candidatos do mesmo campo político na etapa final da eleição.
O governador mineiro criticou o Partido dos Trabalhadores (PT) e associou a legenda a problemas econômicos e de corrupção. “Depois de anos de governo, o Brasil não avançou. Continuamos vendo corrupção e uma economia que não melhora a vida do brasileiro”, disse.
Gestão como credencial
Ao se colocar como alternativa na disputa presidencial, Zema destacou sua trajetória no setor privado e à frente do governo de Minas Gerais como diferenciais.
“Eu já montei empresa do zero e gerei milhares de empregos. Depois, peguei um estado quebrado e coloquei em ordem. Sei montar equipe e entregar resultado”, afirmou.
Segundo ele, Minas atraiu cerca de R$ 530 bilhões em investimentos durante sua gestão e registrou crescimento acima da média nacional. “Entreguei um estado muito melhor do que recebi. Agora quero fazer o mesmo pelo Brasil”, disse.