Economia

Cinco ‘ondas’ que devem impactar o mercado nas próximas décadas, segundo o estrategista da Franklin Templeton

10 nov 2025, 12:02 - atualizado em 11 nov 2025, 9:53
Stephen Dover, estrategista-chefe da Franklin Templeton (Imagem: divulgação)
Stephen Dover, estrategista-chefe da Franklin Templeton (Imagem: divulgação)

As próximas décadas poderão ser marcadas por transformações estruturais profundas na economia global — e os investidores precisam estar preparados.

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A análise foi feita por Stephen Dover, estrategista-chefe da gestora Franklin Templeton, durante o fórum Debates 2025, evento realizado pela empresa nesta segunda-feira (10) em São Paulo.

De acordo com o executivo, há pelo menos cinco grandes “ondas” que deverão impactar os mercados nos próximos 10 a 20 anos: endividamento, impostos, tecnologia, demografia e geopolítica. Entenda cada uma a seguir.

1. Onda tecnológica

Durante sua apresentação, Dover destacou o movimento tecnológico cada vez maior, com foco nos avanços e investimentos em inteligência artificial (IA), considerada uma das forças mais disruptivas do momento.

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Apesar do otimismo com o setor, o estrategista alertou para o risco de concentração excessiva em poucas empresas e recomendou diversificação aos investidores.

“Companhias de IA, como as big techs, são positivas, mas atenção ao risco de concentração nas corporações e indústrias relacionadas a elas. Nossa orientação é ampliar o portfólio”, disse.

O executivo observou que há investimentos bilionários direcionados para inteligência artificial — e um risco caso o retorno esperado não se concretize.

“Temos aproximadamente US$ 400 bilhões a 500 bilhões indo para IA que podem não ter um bom retorno. Se todo esse dinheiro não gerar resultados, teremos problemas”, afirmou.

Bolha à vista?

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Segundo Dover, o momento atual, no entanto, difere do vivido na bolha das ‘pontocom’, nos anos 1990 e 2000, quando as empresas de internet não apresentavam números sólidos.

“Estamos vendo ganhos efetivos das companhias, diferentemente dos anos 90, mas o setor ainda demanda atenção”, pontuou.

O estrategista também mencionou o papel competitivo da China no cenário de IA, destacando que o país tem adotado uma abordagem distinta da escolhida pelos Estados Unidos.

“A China tem sido bastante competitiva, mas busca ser boa o suficiente, e não necessariamente ter o melhor modelo disponível. Isso pode, sim, impactar o cenário de IA nos EUA e no resto do mundo.”

2. Onda demográfica

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Com relação à demografia, Dover alertou para o envelhecimento populacional como um dos principais desafios estruturais das próximas décadas. “As pessoas estão vivendo mais, mas tendo menos filhos”, observou.

“Isso pressiona sistemas de aposentadoria e reduz a base de contribuintes, o que se traduz em um risco para economias dependentes da força de trabalho jovem.”

3 e 4. Ondas do déficit e taxação

Durante sua apresentação, o estrategista também destacou que, atualmente, grande parte dos países enfrenta um aumento expressivo da dívida pública — caso dos Estados Unidos, que já somam cerca de US$ 38 trilhões.

Segundo Dover, esse cenário tem pressionado governos a adotarem medidas de contenção e maior disciplina fiscal.

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“O endividamento crescente leva a uma tendência de alta de impostos e criação de novas formas de tributação nos próximos anos. É uma onda que deverá ocorrer cada vez mais.”

5. Onda geopolítica

Por fim, o estrategista destacou a onda geopolítica, marcada pela transição de um modelo globalizado para uma regionalização crescente.

Segundo ele, blocos econômicos e alianças locais estão ganhando força, e “essa transição tende a alterar cadeias produtivas e padrões de investimento no comércio mundial”.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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