Finanças Pessoais

‘A culpa não é das blusinhas’: Estudo mostra como ‘Pix invisível’ eleva endividamento das mulheres

24 set 2026, 14:40
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Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Lanche da escola, remédio dos pais, material extra da escola. Apesar de receberem 21% menos que os homens, as mulheres seguem arcando com uma série de despesas invisíveis ligadas ao cuidado da família, dos filhos e da casa.

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O estudo “Elas Pagam a Conta”, elaborado pela Think Olga & Eva e divulgado nesta quinta-feira (24), aponta que o endividamento feminino está mais ligado à sobrevivência e à manutenção do lar do que ao consumo.

“Não é a blusinha, não é a maquiagem que está endividando as mulheres brasileiras”, afirmou Nana Lima, diretora-executiva da Think Olga & Eva em evento promovido pela Fin4She e Galapagos Capital.

Na realidade, o endividamento feminino está mais relacionado aos “gastos invisíveis”.

O ‘Pix invisível’ pago pelas mulheres

O estudo mostra que, apesar da divisão de contas maiores entre casais, como aluguel e escola, as mulheres acabam tendo que bancar gastos que “não entram na planilha”.

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Os valores podem parecer irrelevantes, mas, acumulados ao longo dos meses, reduzem a capacidade de poupança, dificultam a formação de patrimônio e pressionam o orçamento feminino.

Para as autoras da pesquisa, esse fenômeno ajuda a explicar por que muitas mulheres chegam ao fim do mês com menos recursos disponíveis, mesmo participando ativamente da renda familiar.

“Isso é tão invisível que as mulheres não enxergam e os homens também não. E aí, fica a mensagem: ‘mas as contas grandes ele que paga’. Só que os [gastos] vários pequenininhos, quando você soma, também impactam no orçamento”, disse Lima.

Endividamento e inadimplência feminina

O estudo cita o Mapa da Inadimplência do Serasa de abril de 2026, que mostrou que a diferença entre homens e mulheres com dívidas é baixa, de 49,4% e 50,6% respectivamente.

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Essa ligeira desigualdade acontece mesmo com mulheres tendo renda menor e enfrentando mais barreiras econômicas.

Além disso, as dívidas femininas estão concentradas principalmente em gastos essenciais: 86% das mulheres endividadas possuem débitos no cartão de crédito, enquanto despesas com supermercado (59%) e remédios ou tratamentos médicos (42%) aparecem entre os principais motivos do endividamento.

Apesar disso, o público feminino fecha 25% mais acordos de renegociação e quita dívidas 11,6% mais do que os homens.

O estudo aponta que os números ajudam a desmontar a ideia de que a inadimplência feminina está ligada ao consumo supérfluo. Na realidade, na maioria dos casos, ela é uma consequência da necessidade de sustentar despesas essenciais da casa e da família.

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“Um homem gastando meio salário-mínimo em uma camisa de futebol é paixão. A gente comprando alguma coisa que gostamos é fútil”, disse a diretora.

*Sob supervisão de Renan Sousa

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.

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