Ações globais e petróleo sob pressão com impasse entre EUA e Irã
Os mercados acionários globais recuam e os preços do petróleo permanecem acima de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (24), à medida que temores de uma nova escalada militar no Oriente Médio deixaram investidores em alerta antes do fim de semana.
As ações europeias abriram majoritariamente em queda, embora o índice japonês Nikkei de primeira linha tenha subido quase 1%, e os futuros das ações dos EUA registrassem leve alta.
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Os preços do petróleo, negociados próximos de US$ 107, enfrentaram nova pressão de alta após o Irã divulgar imagens de comandos abordando um navio cargueiro no Estreito de Ormuz e relatos de que as defesas aéreas de Teerã haviam engajado “alvos hostis”.
O petróleo já acumula alta superior a 17% nesta semana, caminhando para seu maior avanço semanal desde a primeira semana da guerra em março, um sinal de que as esperanças de um fim rápido para o conflito estão diminuindo.
“A semana terminou com uma escalada após uma desescalada, o que reduziu o apetite ao risco”, disse Rory McPherson, CIO da empresa de planejamento financeiro Wren Sterling.
Enquanto o Irã exibe um controle mais rígido sobre o estratégico Estreito de Ormuz, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter ordenado à Marinha que “atire para matar” embarcações iranianas que estejam instalando minas na via marítima, além de intensificar operações de remoção de minas.
Os comentários de Trump vieram poucos dias após ele afirmar que estenderia indefinidamente o cessar-fogo de duas semanas com o Irã para permitir novas negociações de paz.
O índice global de ações da MSCI recuava levemente no dia, mas permanecia próximo das máximas recordes da semana passada.
“Estamos cientes de que os mercados tiveram uma forte recuperação desde as mínimas de março e focaríamos nos fundamentos, que parecem sólidos”, disse McPherson.
“Há mercados sensíveis ao petróleo, como Europa e Japão, e há setores como o de semicondutores nos Estados Unidos que vêm registrando forte alta.”
O índice de tecnologia do S&P 500 acumula alta de 16% até agora em abril e caminha para seu melhor mês desde 2002.
Investidores podem estar subestimando o potencial de alta dos mercados acionários ao focarem nos riscos negativos, dada a incerteza gerada pela guerra com o Irã, disse Jim Caron, diretor de investimentos do grupo Portfolio Solutions da Morgan Stanley Investment Management.
“O que acho que as pessoas não discutem o suficiente são os aspectos positivos do mercado: há também um risco de alta”, afirmou. “Os lucros têm sido fortes.”
Iene perto de 160
Nos mercados cambiais, o dólar caminhava para sua primeira alta semanal em três semanas, com a redução das expectativas de um alívio imediato nas tensões no Oriente Médio.
Isso manteve o iene japonês próximo de 160 por dólar, e operadores de câmbio demonstravam preocupação com a possibilidade de intervenção das autoridades japonesas para fortalecer a moeda.
A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, reiterou um alerta verbal sobre intervenção, afirmando que as autoridades podem tomar medidas “decisivas” contra movimentos especulativos no mercado cambial, um dia após dizer que o Japão tem “mãos livres” para intervir e que intervenções anteriores foram eficazes.
O euro varia pouco no dia, cotado a US$ 1,1684, enquanto a libra esterlina apresentava leve alta, a US$ 1,3473.
Grandes bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra, se reúnem na próxima semana, com investidores atentos aos comentários das autoridades sobre o impacto da guerra na inflação e na economia.
O Banco do Japão (BOJ) também se reúne na próxima semana, mas a expectativa é de manutenção das taxas de juros.
“A menor liquidez de mercado durante a Golden Week, que ocorre logo após a reunião do BOJ, pode oferecer uma oportunidade para intervenção no câmbio e uma valorização repentina do iene dentro da faixa de 150 a 160”, disse Carl Ang, analista de renda fixa da MFS Investment Management.
O feriado anual Golden Week, durante o qual os mercados permanecem fechados em vários dias, se estende até o início de maio.
Em outros mercados, o ouro à vista recuava apenas 0,1%, para US$ 4.688 por onça.