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Açúcar sobe e SMTO3 e JALL3 avançam mais de 27% em um mês; RAIZ4 fica ‘largada’

31 ago 2026, 15:33 - atualizado em 31 ago 2026, 16:15
usinas açúcar etanol jalles são martinho
(iStock.com/Mailson Pignata)

As ações das usinas sucroenergéticas ganharam força na Bolsa nesta segunda-feira (31), acompanhando a valorização dos contratos futuros do açúcar negociados na ICE.

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Por volta das 14h50 (horário de Brasília), o contrato do açúcar com vencimento em outubro de 2026 avançava 1,31%, cotado a US$ 0,1779 por libra-peso, refletindo um movimento positivo da commodity no mercado internacional.

No mesmo horário, a São Martinho (SMTO3) liderava os ganhos do setor, com alta de 4,42%. Já a Jalles (JALL3) avançava 6.24%. A Raízen (RAIZ4), por sua vez, que está em recuperação extrajudicial e negocia a centavos, recuava 4,35%.

“O açúcar foi um das commodities agrícolas que mais subiram em agosto e eles está muito sustentado. O principal fator é o clima, mas há fatores como a retomada das compras pela Índia”, explica Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX.

Ainda segundo o analista, a questão climática mais critica é a safra de beterraba da União Europeia, pelas ondas de calor, que não foram seguidas de chuvas adequadas.

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“As estimativas da safra da UE tem diminuído mês a mês. Dificilmente vamos ver um patamar de US$ 0,14 – US$ 0,15 para o açúcar”, diz Bonifácio.

A safra 2026/2027 de beterraba da UE foi reduzida de 14,1 milhões para 13,4 milhões de toneladas, o menor patamar do século. O ciclo 15/16, pior patamar anterior (13,7 milhões), também foi em um ano de El Niño.



“Eles (UE) vão importar mais açúcar e essa demanda vem do Brasil. E na Índia, eles estão caminhando para umas piores monções dos últimos anos e isso vai reduzir a produtividade”, completa.

As duas companhias costumam reagir às oscilações do açúcar, já que uma parcela relevante de suas receitas está atrelada aos preços da commodity.

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Quando as cotações internacionais sobem, o mercado tende a revisar positivamente as expectativas para a rentabilidade das usinas com maior exposição ao adoçante.



O que mudou no mercado de açúcar?

No último mês, SMTO3 e JALL3 acumularam altas de 36,36% e 27,80%, respectivamente. Enquanto RAIZ4 recuou 11,54%.

O avanço desta segunda-feira (31) para o açúcar amplia uma recuperação que vem ganhando força nas últimas semanas, conforme o mercado passou a precificar um aperto maior na oferta global de açúcar para a safra 2026/27.

Casas de análise como StoneX e Czarnikow revisaram suas projeções, migrando de uma expectativa de superávit para déficits ou saldos bem mais apertados no balanço mundial da commodity.

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No Brasil, principal produtor e exportador global, as estimativas para a nova temporada apontam uma produção ligeiramente menor, enquanto parte das usinas tem mantido maior flexibilidade para direcionar a cana ao etanol em regiões onde a rentabilidade do biocombustível permanece competitiva. Esse cenário reduz as expectativas de oferta adicional de açúcar no mercado internacional.

Outro fator que sustentou as cotações foi o cenário na Índia, maior consumidora mundial da commodity.

O país enfrenta estoques mais apertados, menor produção e forte demanda ligada ao período de festividades, levando o governo a autorizar, pela primeira vez em quase uma década, importações de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa. A medida reforçou a percepção de que o mercado global pode ficar mais dependente das exportações brasileiras no curto prazo.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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