O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, destaca a sinalização do Copom de que o ritmo de ajustes futuros e a magnitude deles dependerão da dinâmica da inflação.
No comunicado, o BC afirma que “o ritmo de ajustes futuros na taxa de juros e a magnitude total do ciclo ora iniciado serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”.
“Essa sinalização pouco diverge de compromissos anteriores, quando a autoridade optou por manter os juros estáveis. Vale ressaltar que nem mesmo a desancoragem da inflação foi motivo suficiente para interromper o ciclo de queda de juros, já que o processo vigorava à época”, diz Sanchez.
Ele acrescenta que “se levássemos a sinalização na ponta do lápis o ciclo de alta de juros que se iniciou hoje deveria ser muito mais agressivo do que os preços dos ativos estão precificando, especialmente se a autoridade monetária quisesse construir credibilidade para uma plena convergência da inflação à meta em prazos mais dilatados”.
Na avaliação do economista-chefe, o ciclo de altas dos juros do BC” será envergonhado, sendo interrompido antes mesmo que a maioria das condições colocadas no parágrafo prospectivo sejam satisfeitas”.
Sendo assim, a Ativa projeta alta de 50 pontos-base na próxima reunião do Copom, que levaria a Selic a 11,25% em novembro. O movimento de altas deve seguir em dezembro, com aumento de 50 pontos-base, e em janeiro de 2025, com elevação de 25 pontos-base.
“Assim, na reunião de 29 de janeiro de 2025, o BC deverá sinalizar a interrupção do ciclo de alta, mesmo sem a convergência da inflação para a meta, nem no horizonte relevante, que precisaria de pelo menos mais 100bps para chegar a 3,0%, muito menos em prazos mais dilatados.”