Tenda (TEND3) lucra R$ 183,4 milhões no 1T26, supera expectativas e vê impacto limitado da inflação
A Tenda (TEND3) teve lucro líquido consolidado de R$183,4 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro do resultado positivo de um ano antes e acima do esperado pelo mercado, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (5).
A construtora com foco no segmento de baixa renda apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado de R$256,7 milhões, alta de 68% na comparação anual.
Segundo dados da LSEG, analistas, em média, esperavam lucro líquido de R$129,6 milhões para a Tenda no primeiro trimestre e Ebitda de R$201,5 milhões.
A companhia apresentou uma geração de caixa operacional consolidada de R$112,2 milhões.
A empresa teve margem líquida de 15,5% no primeiro trimestre ante 9,9% nos três primeiros meses de 2025. A receita líquida foi a R$1,18 bilhão, alta de 37% na base anual.
No trimestre, a Tenda elevou os lançamentos consolidados em 60%, a R$1,46 bilhão, e as vendas líquidas subiram quase 41%, a R$1,53 bilhão.
Mercado segue atento, diz Tenda
Ao comentar o desempenho e as perspectivas, a Tenda afirmou que o mercado segue atento ao avanço dos custos de construção, especialmente da inflação medida pelo INCC. A companhia destacou que, após os desafios do pós-pandemia, passou por uma transformação estrutural em seu modelo de gestão, reforçando controles internos, critérios de orçamento e processos operacionais.
Segundo a Tenda, esse aprimoramento reduz a exposição a choques inflacionários relevantes, mesmo em cenários mais estressados. A empresa reiterou que sua operação é, por natureza, sensível à inflação, mas que hoje dispõe de instrumentos para mitigar esse risco.
A Tenda também ressaltou a evolução da gestão comercial e operacional desde 2020, mantendo a velocidade de vendas (VSO) em níveis saudáveis, entre 25% e 30%, ao mesmo tempo em que reduziu o descasamento entre unidades vendidas e obras executadas. Esse ajuste, segundo a companhia, preserva estoque para captura de preços em cenários inflacionários.
Na prática, a Tenda afirmou já ter observado essa capacidade de repasse, com aumento de 5,1% no preço raso e de 8,4% no preço médio de venda líquida no primeiro trimestre frente ao mesmo período de 2025.
A companhia destacou ainda avanços no ambiente de controle, com mecanismos que permitem identificar rapidamente pressões de custo e ajustar decisões comerciais. Esse fator contribuiu, de acordo com a Tenda, para a expansão da Margem REF, que atingiu 42,2% no trimestre — o maior nível já registrado.
A Tenda afirmou adotar postura conservadora em provisões, atualmente no maior patamar histórico, equivalente a 11% do custo a incorrer nas obras, já incorporando uma inflação implícita próxima de 8% para 2026.
Mesmo em um cenário considerado mais adverso, com INCC de 10% em 2026 e reajustes menores nos recebíveis, a Tenda avalia que o impacto no resultado seria limitado, estimado em cerca de R$ 20 milhões, reforçando a leitura de baixa exposição a deteriorações inflacionárias mais significativas.
*Com informações da Reuters