Juros

Ata do Fed reforça divisão interna e reacende temor de alta de juros nos EUA

20 maio 2026, 17:01 - atualizado em 20 maio 2026, 17:01
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(Imagem: REUTERS/Joshua Roberts)

A ata da reunião de abril do Federal Reserve repercutiu no mercado nesta quarta-feira (20) ao reforçar a percepção de que o banco central norte-americano está mais dividido sobre os próximos passos da política monetária em meio à inflação persistente nos Estados Unidos.

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Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o documento não trouxe grandes surpresas, mas deixou mais evidente que parte dos dirigentes já considera até mesmo a possibilidade de novas altas de juros caso a inflação continue pressionada pelo conflito no Oriente Médio.

“A principal inovação foi indicar que, se a gente continuar tendo um problema de inflação por conta do conflito, eventualmente seria necessário subir juros”, afirmou.

Segundo ele, a ata retrata “um Fed bastante dividido”. O estrategista destacou que um dos dirigentes, Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump, votou a favor de um corte de juros, enquanto a maioria defendeu a manutenção das taxas.

Além disso, Castro chamou atenção para o debate interno sobre o chamado “easing bias”, isto é, o viés de flexibilização da política monetária embutido na comunicação do Fed.

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“Alguns diretores defenderam que você não deveria dar uma direção definida de eventual corte de juros, porque afinal de contas você tem um problema inflacionário”, disse. Ainda assim, segundo ele, prevaleceu a manutenção do viés mais favorável a cortes no futuro.

O estrategista ponderou, porém, que a ata faz referência a uma reunião ocorrida antes da divulgação dos dados mais recentes de inflação nos Estados Unidos, que vieram mais fortes do que o esperado.

“É uma ata que olha um pouco para trás”, afirmou. “Ela veio antes dos últimos dados de inflação, que mostraram uma inflação bastante aquecida.”

Para Castro, o cenário atual ainda é marcado por elevado nível de incerteza, especialmente porque os efeitos inflacionários ligados à guerra tendem a aparecer com defasagem.

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“Os impactos decorrentes da inflação causada por uma guerra no Oriente Médio demoram de três a seis meses para acontecer”, explicou.

Ele também destacou que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, terá o desafio de convencer os demais dirigentes de sua visão de que ganhos de produtividade relacionados à inteligência artificial podem exercer efeitos desinflacionários sobre a economia.

“Não é algo simples nem trivial”, disse. “A gente vive um momento de inflação muito alta, o que diminui bastante o nível de conforto para cortar juros.”

A reação do mercado

Apesar do tom considerado mais duro da ata, o mercado financeiro teve reação limitada após a divulgação do documento. Segundo Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o principal vetor dos ativos nesta quarta-feira (20) continua sendo a geopolítica.

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“A ata do Fed não alterou a dinâmica do mercado. O que está fazendo preço hoje são as falas do Trump sobre a guerra no Irã”, afirmou.

De acordo com Mollo, os investidores passaram a interpretar que o presidente americano estaria sinalizando uma solução diplomática para o conflito, sem uso da força militar, o que provocou uma rotação nos mercados.

Mesmo com a reação moderada dos ativos, Mollo classificou a ata como negativa para os mercados, principalmente por causa da sinalização de que juros mais altos ainda podem voltar ao radar do Fed.

Na avaliação dele, caso o mercado estivesse reagindo apenas ao conteúdo da ata, o movimento esperado seria de queda das bolsas.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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