Azzas 2154 (AZZA3) expõe disputas entre Roberto Jatahy e Alexandre Birman
A Azzas 2154 (AZZA3) tornou pública uma série de demandas societárias envolvendo os empresários Roberto Luiz Jatahy Gonçalves e Alexandre Café Birman, relacionadas à estrutura organizacional das unidades de vestuário feminino e masculino da companhia.
Segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (20), os processos decorrem de divergências sobre gestão e governança da empresa formada pela combinação de negócios entre os grupos Arezzo e Soma, concluída em 2024.
Entre as ações divulgadas, Roberto Jatahy ajuizou, em 8 de maio de 2026, uma medida cautelar na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O executivo pediu a manutenção da estrutura organizacional vigente antes de 22 de abril de 2026, além da preservação de seu cargo como Chief Brand Officer e da responsabilidade pela gestão das unidades de vestuário feminino e masculino.
A liminar foi concedida em primeira instância, determinando a manutenção da estrutura organizacional anterior e a permanência de Jatahy na função. Posteriormente, a 16ª Câmara do TJRJ negou o pedido de efeito suspensivo apresentado em agravo de instrumento, mantendo a decisão liminar.
O tribunal também reconheceu a competência do foro do Rio de Janeiro para analisar a medida cautelar pré-arbitral, embora a questão ainda dependa de decisão definitiva.
Além da ação judicial, Roberto Jatahy protocolou, em 15 de maio de 2026, um requerimento de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM). No procedimento, o executivo pede a declaração de ilegalidade de atos de reorganização interna adotados por Alexandre Birman na condição de diretor-presidente da companhia, além da adoção de procedimentos específicos para aprovação dessas mudanças e reparação de supostos prejuízos à empresa.
Por outro lado, Alexandre Birman também apresentou requerimento de arbitragem contra Roberto Jatahy na CAM-B3, sob o número 325/26, em 14 de maio de 2026.
Na arbitragem, Birman alega que ações e posicionamentos de Jatahy relacionados aos recentes eventos envolvendo a estrutura organizacional da companhia teriam violado dispositivos do acordo de acionistas e do estatuto social da empresa, especialmente em relação às prerrogativas do CEO.
O executivo pede o reconhecimento dessas supostas violações e a condenação de Jatahy à reparação de danos que ainda serão apurados.
Até o momento, segundo a companhia, não houve celebração de acordos entre as partes nem decisões arbitrais sobre os procedimentos.
Analistas do Citi disseram recentemente que as preocupações de governança em torno da Azzas já são amplamente conhecidas pelo mercado e estão em grande parte refletidas no preço atual das ações, com o papel sendo negociado a 7,0 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L 2026E), com base na projeção ajustada de resultados do banco.