Azzas 2154 (AZZA3) ainda não convence: 2T26 mais fraco mantém mercado à espera de sinais de recuperação
Os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) da Azzas 2154 (AZZA3) não agradaram o mercado. No Ibovespa (IBOV), as ações performam entre os destaques negativos no pregão desta quinta-feira (13). Entre analistas, a leitura é de um trimestre fraco e negativo.
Por volta de 11h40 (horário de Brasília), as ações recuavam 2,58%, cotadas a R$ 15,47. Acompanhe o tempo real.
Em teleconferência de resultados realizada nesta quinta-feira, o CEO da Azzas, Alexandre Birman, reconheceu que os números vieram com destaques negativos, no entanto, defendeu que o resultado operacional que vai no DRE não reflete e força das marcas que compõem o grupo.
Vale lembrar que a Azzas 2154 surgiu a partir da fusão entre a Arezzo, de Birman, e o Grupo Soma, que tinha Roberto Jatahy como CEO. A combinação reuniu sob o mesmo grupo nomes como Arezzo, Schutz, Hering, Farm, Reserva, Anacapri, Vans, entre outras.
Birman destaca, do lado positivo do trimestre, uma forte geração de caixas, sequência do trabalho que vem sendo realizado desde o segundo semestre de 2025.
Ele chama atenção para o turnaround da Hering, com margem bruta de 40,4%, forte redução de estoques e R$ 97 milhões de geração de caixa pós-capex no trimestre.
O executivo afirma que a Azzas 2154 é uma empresa feita para longo prazo e o resultado pontual de um trimestre causa uma insatisfação, no entanto, gera mais disposição para buscar um desempenho positivo.
Para analistas do Bradesco BBI, embora a companhia tenha apresentado progresso relevante na gestão de capital de giro e na geração de caixa, a fraqueza das vendas continua limitando a recuperação da rentabilidade.
“Acreditamos que os desafios nas unidades de Calçados & Bolsas e Basic ainda devem persistir nos próximos trimestres, reduzindo a visibilidade sobre o ritmo de recuperação dos resultados. Assim, seguimos cautelosos com a tese de investimento até que haja sinais mais consistentes de retomada operacional”, dizem os analistas da casa.
O BBI destaca que os resultados vieram abaixo das expectativas, refletindo a continuidade dos desafios operacionais em algumas de suas principais unidades de negócios.
As vendas brutas das operações continuadas recuaram 7,1% na comparação anual, pressionadas principalmente pelos segmentos de Calçados & Bolsas e Basic/Hering, ambos com queda de aproximadamente 12%, em meio aos ajustes no canal de distribuição, menores descontos e demanda ainda enfraquecida no atacado multimarcas.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 374 milhões, ficando 10% abaixo das estimativas, enquanto a margem Ebitda caiu 4,4 pontos percentuais em relação ao 2T25, para 14,0%, refletindo a desalavancagem operacional decorrente da menor receita.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 101 milhões, 29% abaixo das projeções.
“Apesar da pressão nos resultados, um destaque positivo foi a evolução do capital de giro. Estimamos geração de caixa de aproximadamente R$ 40 milhões no trimestre, impulsionada pela redução dos estoques, melhora dos prazos de recebimento e alongamento dos pagamentos a fornecedores”, diz o BBI.
Sem sinais claros de recuperação
A XP Investimentos pondera que a os resultados do segundo trimestre foam fracos, com receita pressionada em todas as unidades de negócio.
Embora a casa veja com bons olhos as iniciativas da companhia para estabilizar sua operação e consideremos fortes as marcas do grupo, a complexidade de compreender todas as partes móveis e os ajustes realizados em todas as unidades de negócio deve manter os investidores à margem até que apareçam sinais de inflexão mais consistentes e claros nos resultado, na visão dos analistas.
O BTG Pactual está cauteloso quanto ao ritmo de vendas nos próximos trimestres — particularmente nos segmentos de Básicos e Calçados.
“A companhia reforçou nos últimos meses que está adotando uma estratégia disciplinada e orientada à eficiência, centrada no controle de custos, na proteção das margens e na otimização de capital. No entanto, o sentimento predominante é de ‘esperar para ver’“, ponderam os analistas.
O banco pontua que o o mercado busca evidências mais claras de que as vendas estão gradualmente se normalizando e de que a alavancagem operacional, por meio da diluição das despesas de SG&A, se concretizará nos próximos trimestres.
Enquanto isso, os resultados recentes apontam para riscos de baixa em relação às estimativas, dessa maneira, o BTG pretende revisar os números para a Azzas 2154 em breve. O BTG recomenda compra para a ação.
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