Bancão elege Bradsaúde (SAUD3) como a preferida do setor de olho em dividendos
Considerada uma boa pagadora de dividendos, o UBS BB iniciou a cobertura das ações da Bradsaúde (SAUD3) com recomendação de compra e a preferência (top pick) do banco no setor ao lado de Rede D’Or (RDOR3).
O banco também tem preço-alvo de R$ 19 nos próximos 12 meses, o que implica em um potencial de valorização de 41,2% sobre o preço de fechamento desta sexta-feira (25).
A visão otimista do UBS BB é sustentada pelo pagamento de proventos aos acionistas. Nas contas do analista Olavo Arthuzo, a distribuição de lucros aos acionistas (payout) deve subir para 60% no próximo ano, 75% em 2028 e cerca 80% a partir de 2029, atingindo um índice terminal de 90%.
Já o dividend yield deve subir de cerca de 4% neste ano para aproximadamente 7,5% em 2027, de acordo com os cálculos de Arthuzo.
De onde vem os proventos
Segundo o UBS BB, a posição de capital do acionista controlador, o Bradesco, proporciona visibilidade sobre a política de distribuição, enquanto a estrutura de Juros sobre Capital Próprio (JCP), impostos e solvência sustenta distribuições maiores.
O Bradesco precisa amortizar cerca de R$ 8,2 bilhões em ativos fiscais diferidos relacionados a perdas de crédito por ano nos próximos 10 anos — créditos que só podem ser utilizados pela entidade bancária — enquanto uma parcela substancial dos lucros do grupo é gerada pelo negócio de seguros (cerca de 50%).
Nesse cenário, o analista avalia que o Bradesco tem incentivo para maximizar a distribuição de capital de suas subsidiárias, especialmente por meio de juros sobre capital próprio (JCP).
A expectativa é de uma declaração de aproximadamente R$ 1,6 bilhão em JCP pela Bradsaúde em 2027, o que ajudaria a reduzir a alíquota efetiva de imposto da companhia de cerca de 32% neste ano para aproximadamente 28% em 2027.
No longo prazo, o banco projeta que a alíquota efetiva possa chegar a 26%.
Além dos proventos
No relatório, o UBS BB também destaca a consolidação da companhia como um fator positivo a tese de investimentos na SAUD3. “Vemos a Bradsaúde como a beneficiária natural das vidas liberadas pelo sistema de saúde brasileiro, à medida que pressões estruturais forçam cada vez mais as operadoras menores a deixar o mercado”, afirmou o analista.
Ou seja, a consolidação se dá pela saída de operadores, e não por aquisição, dada a migração orgânica de vidas para a companhia, sem pagamento pela transação, sem reconhecimento de goodwill e sem risco de integração.
Hoje, a Bradsaúde corresponde por aproximadamente 9% das vidas de planos de saúde do sistema, mas capturou cerca de 15% do lucro líquido total da indústria nos últimos 12 meses.
O UBS BB também chama a atenção para a opcionalidade. Na avaliação do banco, a joint venture (JV) hospitalar Atlantica com a Rede D’Or poderia potencialmente oferecer uma aceleração dos lucros independente das taxas de juros. A expectativa é de que a JV corresponda a 13% do lucro líquido consolidado no longo prazo.
O banco ainda vê os resultados do quarto trimestre, esperados para o início do próximo ano, como um catalisador para a ação, o que poderia desencadear revisões para cima nas estimativas de lucro.