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Banco do Brasil (BBAS3): Com menos lucro, dividendos vão cair? Veja impacto

14 maio 2026, 15:56 - atualizado em 14 maio 2026, 16:00
dividendos banco do brasil
Para o analista da Levante, Flavio Conte, supondo um lucro líquido de R$ 18 bi em 2026 e um payout de 30%, o banco distribuiria R$ 5,4 bi (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Banco do Brasil (BBAS3) já foi estrela de muitas carteiras de dividendos quando lucrava acima de R$ 9 bilhões e distribuía 45% do seu lucro para os acionistas. Porém, a situação piorou e essa parcela caiu para 30%.

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Mais do que isso, o banco projeta lucrar menos em 2026. Se antes, via lucro de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, agora projeta lucrar de R$ 18 a R$ 22 bilhões. Ou seja, o teto virou piso.

Entre os vilões o corte da projeção está o custo de capital, que disparou: saiu da faixa de R$ 53 bi a R$ 58 bi para R$ 65 bi a R$ 70 bi.

Isso pode impactar os dividendos?

Para o analista da Levante, Flavio Conte, supondo um lucro líquido de R$ 18 bi em 2026 e um payout de 30%, o banco distribuiria R$ 5,4 bi, equivalente a R$ 0,9422, a ser pago durante 2026.

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O dividend yield seria de 4,5% em relação a cotação de fechamento de R$ 20,76. Bem distantes dos 10% dos tempos de vacas gordas.

Ainda segundo ele, é provável que o banco fique com lucro no piso da faixa. Se for realmente R$ 18 bi significaria um lucro líquido de R$ 4,8 bi por trimestre que é mais alto do que os R$ 3,4 bi do primeiro trimestre de 2026.

Junto com o resultado, o BB anunciou a distribuição de R$ 465,7 milhões em juros sobre o capital próprio.

Sem dividendos extras do Banco do Brasil

E se o investidor tinha alguma esperança de que o Banco do Brasil poderia pagar dividendos extraordinários, elas acabaram nesta quinta. Em conferência com jornalistas, Giovanne Tobias descartou completamente o pagamento.

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A possibilidade foi levantada ainda no terceiro trimestre de 2025. Na ocasião, Tobias havia afirmado que só teria clareza desse pagamento ao final de 2026. Porém, a situação, hoje, é pior que o esperado. Na noite da última quarta-feira, o banco divulgou lucro de R$ 3,4 bilhões, queda de 52%.

Para a XP Investimentos, o banco reportou mais um trimestre “fraco”, ainda que em linha com o esperado pela casa. Os analistas destacaram que a principal preocupação migrou do resultado em si para a piora do cenário.

“A pressão de crédito não está mais restrita ao Agronegócio“, afirmaram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, em relatório.

A visão do trio considera que os NPLs iniciais (Non-Performing Loan: Crédito Não Produtivo, em inglês) – considerado uma métrica de inadimplência – de Pessoa Física (PF) aumentaram quase 90 pontos-base no trimestre a trimestre e subiram 200 pontos-base na comparação anual, “sugerindo pressão adicional à frente”.

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“Além de o NPL 90+ seguir em trajetória de piora (+26bps T/T; +170bps A/A), observamos um aumento significativo da inadimplência em estágio inicial, de aproximadamente +90bps T/T (+200bps A/A), o que deverá pressionar ainda mais o NPL 90+ nos próximos trimestres”, diz o relatório.

Segundo os analistas, ao avaliar a composição da inadimplência por produto, fica claro que os empréstimos consignados têm sido a principal fonte de pressão, provavelmente refletindo a maturação das carteiras mais recentes, especialmente no consignado privado.

Com Liliane Lima

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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