Áudio de Flávio a Vorcaro mexe com mercado e Banco do Brasil reduz projeções para 2026; veja os destaques do Giro desta quinta (14)
O áudio divulgado nessa quarta-feira (13) pelo Intercept Brasil, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, vem movimentado o mercado.
A bolsa brasileira, na véspera, caiu quase 2%, abaixo dos 180 mil pontos, enquanto o dólar registrou a maior valorização desde dezembro do ano passado, voltando ao patamar de R$ 5.
No Giro do Mercado desta quinta-feira (14), o editor de política do Money Times, Gustavo Porto, comentou os impactos do caso com a jornalista Paula Comassetto.
“A reação [do mercado] foi imediata e, politicamente, a situação ficou complicada. No PL e no QG da campanha de Flávio, líderes do partido e assessores não sabiam como reagir inicialmente, porque Flávio nunca havia declarado isso”, afirmou Porto.
No fim da tarde, o filho mais velho de Jair Bolsonaro divulgou uma nota e um vídeo nos quais admitiu conhecer Vorcaro e ter solicitado apoio financeiro privado para o filme sobre o pai. Apesar disso, o deputado Mário Frias (PL) e a produtora do longa negaram qualquer financiamento de Vorcaro na produção.
Para Porto, a crise pode afetar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, embora ainda haja incertezas sobre a duração do impacto político.
“O Flávio Bolsonaro é visto como o candidato preferido do mercado, que reage negativamente quando ele sofre desgaste. Mas o mercado pode buscar outra alternativa”, disse o editor, citando o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o fundador do MBL, Renan Santos.
Nesta manhã, os mercados apresentaram recuperação parcial, especialmente o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. Juros futuros e dólar também recuaram.
Banco do Brasil (BBAS3) corta projeções para 2026
No cenário corporativo, o Banco do Brasil (BBAS3) cortou as projeções para 2026 depois de reportar lucro líquido de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 53% comparado ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados no balanço publicado na quarta-feira (13).
O editor-assistente do Money Times, Renan Dantas, afirmou que o resultado já era esperado, diante do que classificou como uma “tempestade perfeita” para o banco.
Segundo Dantas, fatores negativos vêm se acumulando, entre eles o conflito no Irã e os impactos da alta do petróleo sobre produtores rurais, especialmente nos custos de frete e fertilizantes, cuja logística passa pelo estreito de Ormuz.
Ele também destacou o avanço das projeções para a taxa Selic média de 12% para quase 14% em 2026. Segundo o editor, os juros mais elevados tendem a aumentar a inadimplência tanto no agronegócio quanto entre pessoas físicas.
A piora do cenário levou o Banco do Brasil a descartar o pagamento de dividendos extraordinários, segundo o CFO da instituição, Giovanne Tobias. A possibilidade havia sido levantada no terceiro trimestre de 2025.
*Com supervisão de Vitor Azevedo