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Banco do Brasil (BBAS3): Lucro sobe 3,3%, chega a R$ 3,9 bilhões e vem melhor que esperado no 2T26

12 ago 2026, 18:36 - atualizado em 12 ago 2026, 19:33
dividendos agosto banco do brasil vivo
O banco vinha de seis trimestre consecutivo de piora devido os efeitos da falta de pagamento do produtor.

O Banco do Brasil (BBAS3) terminou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% ante mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta (12). Em relação ao primeiro trimestre, a elevação é de 13,9%.

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A cifra ficou acima do consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 3,5 bilhões.

Um conjunto de fatores, que incluem a piora da inadimplência do agronegócio e a nova resolução da CMN nº 4.966/2021, que endureceu e obrigou os bancos a elevarem as provisões para calotes, fez o banco perder o seu status de ‘porto seguro’ da bolsa.

Com isso, o banco vinha de seis trimestre consecutivo de piora devido aos efeitos da falta de pagamento do produtor.

Um dos pontos que pode ter ajudado o BB, porém, é o resultado de tesouraria, que subiu 2,1% no trimestre e 10% no ano, para R$ 9 bilhões.

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“O resultado maior sobre o trimestre anterior traz ainda a evolução da nossa margem financeira bruta, sustentada por um mix de crédito que tem uma melhor relação risco x retorno, pela diversificação das captações e pela boa alocação da nossa liquidez”, afirma a CEO do BB, Tarciana Medeiros.

Banco do Brasil: Rentabilidade em alta

O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) subiu 1,07 ponto percentual, encerrando o trimestre a 8,4%. Consenso da Bloomberg esperava 7,3%.

Mesmo assim, o banco ficou mais um trimestre abaixo dos 20% de rentabilidade, número mágico olhado pelo mercado. Encerrou, ainda, abaixo do Itaú (ITUB4), que terminou com ROE de 24% e Bradesco (BBDC4), que terminou o período a 16,1%.

O banco também aprovou R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio.

Inadimplência e despesas do Banco do Brasil

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Uma das maiores preocupações dos analistas, o indicador de inadimplência acima de 90 dias voltou a subir e encerrou em 5,61%, alta de 1,65 ponto percentual no ano.

Porém, a maior alta foi observada na inadimplência curta, de 30 dias, que saltou 2,14 pontos percentuais.

A inadimplência da carteira agro também foi um vilão e atingiu 5,61%, aumento de 1,65 ponto percentual no ano.

O setor passa por uma alta expressiva do número de recuperações judiciais.

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A própria administração já sinalizava que a inadimplência no agronegócio seguia elevada. “O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado”, afirmou a CEO.

Dados mais recentes da Serasa dão conta de 474 pedidos, aumento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, as provisões, colchão usado pelos bancos para se protegerem dos calotes, voltaram a subir: 15,4% em relação ao ano passado, para R$ 33 bilhões, e 3,4% no trimestre, movimento observado em outros bancos diante da piora da situação macroeconômica.

O custo do crédito subiu 16% no ano, para R$ 18,5 bilhões, mas teve alívio de 2,1% contra o primeiro trimestre.

Pior já passou?

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De acordo com Octaciano Neto, fundador da Zera, a trajetória da inadimplência e do custo de crédito começa a dar sinais de melhora, mas ainda exige atenção.

No agronegócio, o estoque de inadimplência continuou subindo, com o INAD+30d passando de 7,35% no 1T26 para 8,97% no 2T26, enquanto a Perda Esperada avançou de R$ 40,6 bilhões para R$ 43,7 bilhões, no quarto trimestre seguido de alta.

Por outro lado, lembra, o fluxo de novos atrasos desacelerou significativamente: o New NPL caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, quase metade do pico registrado no 4T25. Ao mesmo tempo, a cobertura desses novos NPLs aumentou de 102,9% para 145,9%.

“A combinação indica que o pior pode ter passado, embora a recuperação deva ser gradual, já que o estoque elevado ainda reflete problemas de safras anteriores, enquanto a queda nas novas entradas sugere melhora na qualidade das concessões”.

Outros indicadores

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A margem financeira bruta, por outro lado, subiu 9,6%, para R$ 27,5 bilhões. Segundo o próprio banco, a alta foi puxada pelas receitas com tesouraria.

As receitas de prestação de serviços alcançaram R$ 9,1 bilhões no trimestre, avanço de 3,4% comparado ao primeiro trimestre e alta de 4,2% na comparação com 2025.

“O aumento das receitas com prestação de serviços ganha potência pela complementariedade do nosso conglomerado e os custos permaneceram sob controle, a partir de um trabalho constante de eficiência, sem abrir mão de investir naquilo que constrói o futuro: pessoas e tecnologia”, destaca a CEO.

Segundo o banco, destacam-se as linhas de administração de fundos (+6,3%), conta corrente (+7,6%) e operações de crédito e garantias (+4,7%).

As despesas administrativas ficaram em R$ 10,1 bilhões, com alta de 4,1% no ano e 0,6% no trimestre.

Carteira de crédito sobe

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Mesmo com a piora nos indicadores, o BB manteve a sua carteira de crédito estável, com alta de 1,5% em 12 meses, para R$ 1,3 trilhão.

O maior aumento foi observado na pessoa física. O banco alcançou R$ 357,6 bilhões, crescimento de 4,4% em um ano, influenciado, principalmente, pelo desempenho do crédito consignado, mas com queda de 1,2% no trimestre.

O consignado privado, lançado no ano passado, é uma das grandes bandeiras do governo para incentivar o crédito.

A carteira de pessoa jurídica encolheu, por outro lado, e atingiu R$ 456,2 bilhões, queda de 2,5% no ano, influenciada pela redução nas carteiras de médias e pequenas empresas e de grandes empresas.

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No agronegócio, a carteira teve crescimento de 4,1% nos últimos 12 meses e no trimestre, totalizando R$ 421,6 bilhões.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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