Bolsas da Europa fecham sem direção única com incertezas em Ormuz e balanços mistos
Os índices europeus fecharam o pregão desta quinta-feira (23) sem direção única com balanços comporativos e indicadores econômicos trazendo volatilidade adicional às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com alta de 0,05%, aos 614,20 pontos.
Entre os principais índices, o FTSE 100, de Londres, fechou com queda de 0,19%, aos 10.457,01 pontos; o DAX, de Frankfurt, caiu 0,16%, aos 24.155,45 pontos; e o CAC 40, de Paris, subiu 0,87%, aos 8.227,32 pontos.
O que movimentou os mercados europeus hoje?
Os investidores acompanharam novos dados econômicos dos países da zona do euro e resultados corporativos, enquanto a guerra no Oriente Médio reflete o impasse entre Estados Unidos e Irã.
O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu para 48,6 em abril, em nível de contração, enquanto o índice da Alemanha tombou para 48,3. O Ministério da Economia alemão cortou pela metade a projeção de crescimento econômico do país em 2026, para 0,5%, citando a guerra entre Irã e EUA e o fechamento do Estreito de Ormuz.
Entre os destaques corporativos, a L’Oréal saltou cerca de 9% em Paris, ajudando a dar suporte ao índice francês, após divulgar o crescimento trimestral mais forte em dois anos.
Em Zurique, a Nestlé avançou quase 6% com vendas orgânicas acima do esperado, enquanto a Roche subiu 3% após reafirmar projeções.
A STMicroelectronics disparou quase 14,5% com resultado forte e perspectiva favorável para receitas ligadas à inteligência artificial (IA), e a Nokia ganhou fôlego após lucro acima do previsto e avançou 5,6%. Na contramão, a Heineken caiu cerca de 1,2% em Amsterdã com fraqueza nas vendas de cerveja.
Conflito no Oriente Médio
Em nova publicação no Truth Social nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu que o Estreito de Ormuz está “completamente selado” até que o Irã seja capaz de fazer um acordo. “Temos controle total sobre o Estreito de Ormuz. Nenhum navio pode entrar ou sair sem a aprovação da Marinha dos Estados Unidos”, disse.
Além disso, Trump afirmou ter ordenado à Marinha americana que “atire para matar” em qualquer embarcação que esteja instalando minas nas águas do Estreito de Ormuz, em nova escalada das tensões com o Irã na principal rota global de transporte de petróleo.
Segundo o presidente norte-americano, a ordem vale para “qualquer barco, por menor que seja”, envolvido na atividade. “Não deve haver hesitação”, escreveu.
Trump também afirmou que navios-varredores de minas dos EUA já atuam na região e determinou a ampliação da operação. “Estão limpando o estreito agora. Estou ordenando que essa atividade continue, mas em um nível triplicado”, declarou.
A postagem foi feita após os Estados Unidos apreenderem hoje mais um petroleiro associado ao contrabando de petróleo iraniano, ampliando o impasse com Teerã.
Um dia antes, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, em inglês) assumiu o controle de duas embarcações no Estreito de Ormuz, depois de atacar três navios cargueiros.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters