Taxa Selic

BTG muda visão para Selic e passa a projetar mais dois cortes de juros em 2026; veja o que mudou

08 jul 2026, 10:29 - atualizado em 08 jul 2026, 10:29
selic - juros - economia - brasil
(Imagem: Hwangdaesung/ iStock)

O BTG Pactual revisou sua expectativa para a política monetária brasileira e passou a projetar uma Selic de 13,75% ao fim de 2026, após incorporar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual neste segundo semestre.

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A mudança representa uma guinada em relação ao cenário traçado pelo banco no mês passado. Antes, a equipe econômica esperava que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompesse o ciclo de flexibilização após levar a taxa para 14,25%, mantendo os juros nesse patamar até o fim do ano.

Segundo o relatório macroeconômico de julho, a combinação de um ambiente externo menos pressionado pela alta do petróleo e de uma atividade doméstica perdendo força abriu espaço para uma retomada dos cortes, ainda que em ritmo gradual.

“O balanço de riscos para a inflação melhorou marginalmente”, afirmam os economistas do banco.

Apesar da revisão, o BTG ressalta que o cenário continua exigindo cautela. Entre os fatores que impedem um ciclo mais intenso de cortes estão as expectativas de inflação ainda desancoradas, o mercado de trabalho resiliente, o impulso fiscal e, principalmente, a perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos.

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A avaliação do banco também considera que a recente queda dos preços do petróleo, após a redução das tensões no Oriente Médio, diminuiu a pressão sobre a inflação global e brasileira, oferecendo um pequeno alívio para o Banco Central.

O que mudou nas projeções

A revisão da Selic veio acompanhada de outras alterações relevantes para o cenário brasileiro.

A principal delas foi no câmbio. O BTG elevou a projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40, refletindo a expectativa de fortalecimento da moeda americana diante da perspectiva de um Federal Reserve mais duro e da possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos.

O banco também piorou sua visão para as contas públicas. A estimativa para a dívida bruta passou para 81,6% do PIB em 2026 e 85,8% do PIB em 2027, incorporando um câmbio mais depreciado e um cenário fiscal menos favorável.

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Já para a atividade econômica, o BTG manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,0% neste ano, mas reduziu a expectativa para 2027, de 1,3% para 1,1%, diante dos efeitos dos juros ainda elevados e da perspectiva de menor impulso fiscal.

O que permaneceu igual

Apesar das mudanças na Selic e no câmbio, o banco optou por manter algumas das principais projeções macroeconômicas.

A estimativa para o IPCA permaneceu em 5,3% em 2026 e 4,5% em 2027, mesmo com o alívio proporcionado pela queda do petróleo. Na avaliação dos economistas, as expectativas de inflação continuam acima da meta e seguem exigindo cautela por parte do Banco Central.

O BTG também manteve a previsão de superávit comercial de US$ 85 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027, sustentado principalmente pelo desempenho das exportações de petróleo, apesar da expectativa de preços menores para algumas commodities.

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Na avaliação do banco, o cenário para o Brasil melhorou na margem, permitindo um ciclo um pouco mais longo de cortes de juros. Ainda assim, a equipe destaca que o espaço para flexibilização permanece limitado em um ambiente de inflação resistente e política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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