Câmara do DF aprova projeto e diminui escopo de imóveis para salvar BRB em R$ 2,9 bi
A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou um projeto do governo distrital diminuindo em R$ 2,9 bilhões o escopo de imóveis oferecidos para cobrir o rombo do Banco Master no Banco de Brasília (BRB).
Em março, os deputados haviam aprovado outro projeto, do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), autorizando o aporte no BRB com nove imóveis no valor de R$ 6,6 bilhões para serem vendidos, transferidos ao banco, usados como garantia em um empréstimo ou estruturados em um fundo imobiliário.
Os imóveis, no entanto, provocaram questionamentos políticos e técnicos. O projeto foi parar na Justiça e ainda está sendo questionado. A governadora Celina Leão (PP), que assumiu o cargo no fim de março com a renúncia de Ibaneis para concorrer ao Senado, mandou uma nova proposta retirando dois imóveis da lista.
O projeto aprovado retira do escopo de socorro ao BRB um imóvel estimado em R$ 2,3 bilhões, a “Gleba A”, com 716 hectares, que compõe uma área ambiental conhecida como Serrinha do Paranoá, e um terreno no SIA (Setor de Indústria e Abastecimento), de 192 mil metros quadrados, calculado em R$ 632 milhões.
Os imóveis restantes foram estimados em R$ 3,654 bilhões. O governo distrital não apresentou, no entanto, uma avaliação atualizada dos terrenos.
O governo do Distrito Federal tenta um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para injetar dinheiro no BRB e cobrir os prejuízos do Master. O empréstimo se tornou o plano principal da administração para conseguir o recurso e evitar que o BRB seja liquidado.
Com os imóveis questionados na Justiça, a governadora pediu ajuda ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que a União forneça garantias do Tesouro Nacional no empréstimo. O Distrito Federal está sem condições financeiras para receber aval do governo federal e pediu uma análise excepcional ao governo Lula.
Nesta quinta-feira, 30, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, vai receber a governadora Celina Leão e o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para discutir a situação da instituição financeira.