Ocupação mais “rica” do país chegou ao Brasil logo depois de Cabral e possuía privilégio vitalício e hereditário
A classe com maior patrimônio médio declarado no Brasil existe no país desde 1565, assumiu uma função antes exclusiva da Igreja Católica e até pouco tempo atrás dispunha de um privilégio vitalício e hereditário. Trata-se dos donos de cartório.
De acordo com dados divulgados pela Receita Federal a respeito do Imposto de Renda de 2026, o patrimônio médio declarado pelos brasileiros encontra-se em R$ 409 mil. Já o patrimônio médio dos contribuintes que declaram a titularidade de cartório como ocupação principal alcança R$ 3,28 milhões.
O patrimônio médio declarado pela categoria supera o dos membros do Poder Judiciário, com R$ 2,93 milhões, e o de integrantes do Ministério Público, com R$ 2,9 milhões.
Eles são seguidos pelos seguintes grupos, segundo as estatísticas divulgadas pela Receita:
- Diplomatas e afins: R$ 2,52 milhões;
- Atletas, desportistas e afins: R$ 1,71 milhão;
- Dirigente, presidente e diretor de empresa industrial: R$ 1,66 milhão; e
- Produtor agropecuário: R$ 1,58 milhão.
Uma breve história dos cartórios no Brasil
O tabelionato é uma das instituições mais antigas do Brasil como o conhecemos hoje.
O primeiro dono de cartório do Brasil foi Pero da Costa. Ele foi nomeado em 1565, pelo então governador Mem de Sá, o tabelião do 1º Ofício de Notas do Rio de Janeiro. Ao longo dos séculos, a ocupação consolidou-se como uma das mais lucrativas e cobiçadas do Brasil.
No início, os cartórios eram concedidos de maneira discricionária pela Coroa Portuguesa. A concessão também ocorria por indicação política até pouco tempo atrás. Em muitos casos, o privilégio era vitalício e hereditário
A partir de 1889, os cartórios assumiram a função até então atribuída à Igreja Católica de cuidar do registro civil dos brasileiros.
Foi somente no fim dos anos 1980 que os cartórios deixaram de ser considerados propriedade familiar. Com a Constituição de 1988, o ingresso na atividade passou a exigir concurso público e formação em direito.
Dados patrimoniais vêm de plataforma pública criada pela Receita
Os dados que mostram os donos de cartório como detentores do maior patrimônio médio fazem parte de uma nova plataforma pública criada pela Receita Federal para divulgar estatísticas consolidadas das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).
Pela primeira vez, o órgão permite consultar informações por profissão, faixa de renda, patrimônio, estado, sexo, idade, raça e cor, sem violar o sigilo fiscal dos contribuintes.
Vale notar que as estatísticas da Receita Federal consideram apenas contribuintes que entregaram a declaração do Imposto de Renda em 2026. Dessa forma, os dados não representam toda a população brasileira, já que pessoas dispensadas da entrega da declaração ficam fora do levantamento.
Em 2026, a Receita Federal recebeu 44,498 milhões de declarações do Imposto de Renda, acima da projeção inicial de 44 milhões.
Desse total, 56,1% dos contribuintes têm imposto a restituir, 23% terão imposto a pagar e 21% ficaram sem saldo de imposto. Além disso, 8,1% das declarações enviadas foram retificadoras.
*Com informações da Agência Brasil.