Turismo

Cristais de 2 bilhões de anos, turismo espiritual e paralelo de Machu Picchu: o que atrai viajantes do mundo todo à Chapada dos Veadeiros

04 set 2026, 11:59
Mirante da Janela, na Chapada dos Veadeiros.

Conhecida pelas cachoeiras de águas cristalinas e pelas paisagens do Cerrado, a Chapada dos Veadeiros também atrai visitantes por um motivo místico: sua reputação como um dos maiores polos espirituais da América do Sul.

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Em cidades como Alto Paraíso de Goiás, retiros, terapias holísticas e práticas de meditação convivem com trilhas, parques nacionais e comunidades tradicionais, formando um ecossistema turístico impulsionado por crenças ligadas aos cristais de quartzo presentes na região e ao famoso Paralelo 14.

Paisagens esculpidas e o alinhamento no Paralelo 14

A geografia do planalto reflete a fusão entre formações milenares e misticismo. No Vale da Lua, o curso do Rio São Miguel desgastou as rochas de quartzito ao longo do tempo, criando dutos subterrâneos e crateras que remetem ao solo lunar e atraem praticantes de meditação.

Seguindo pela rodovia principal, o Jardim de Maytrea surge emoldurado por veredas de buritis e pelo Morro da Baleia. O ponto atrai visitantes por estar alinhado ao Paralelo 14, a mesma coordenada geográfica que atravessa a cidade inca de Machu Picchu, no Peru, o que sustenta narrativas locais sobre canais de energia e observação astronômica.

A Chapada dos Veadeiros como polo espiritual

A fama espiritual da Chapada dos Veadeiros ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980, quando comunidades alternativas, terapeutas e grupos ligados a correntes esotéricas passaram a se estabelecer em Alto Paraíso de Goiás.

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A combinação entre a paisagem preservada do Cerrado, a abundância de cristais de quartzo na região e crenças associadas ao Paralelo 14 ajudou a construir a reputação da cidade como um local de reconexão, meditação e busca por bem-estar.

Com o tempo, essa identidade deu origem a uma rede de retiros, terapias holísticas, cursos e eventos voltados ao desenvolvimento pessoal, consolidando Alto Paraíso como um dos principais polos de turismo espiritual e místico do Brasil.

Alto Paraíso de Goiás (GO) - Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no município de Alto Paraíso.
Vista da Chapada dos veadeiros.

Recursos hídricos e manejo sustentável no território Kalunga

O circuito hídrico movimenta a economia local e compõe os roteiros. Na Catarata dos Couros, o volume d’água desce por patamares de pedra em quedas sucessivas, formando poços procurados para banho e caminhadas em meio à vegetação nativa.

Mais ao norte, no município de Cavalcante, a Cachoeira Santa Bárbara destaca-se pela água em tom azul-turquesa. Situada no território da Comunidade Quilombola Kalunga, a atração adota tem tempo de permanência controlado e acompanhamento obrigatório de guias locais, unindo conservação ambiental e geração de renda comunitária.

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros - Alvaro Menezes
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – Alvaro Menezes. Imagem: Picturesartbr/Wikimedia Commons

Três perfis de permanência entre Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante

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A dinâmica da estadia depende do perfil de cada núcleo urbano da região. Alto Paraíso de Goiás funciona como o polo comercial e holístico, reunindo pousadas, lojas de minerais e espaços acústicos voltados a concertos meditativos, como o do Templo Gota.

A Vila de São Jorge mantém ruas de terra e concentra a vida noturna ao redor de restaurantes e fogueiras, servindo de base para a entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Cavalcante atende a viajantes focados em expedições de maior distância, roteiros de imersão histórica e trilhas com menor fluxo de visitantes.

Chapada dos Veadeiros: das rotas tropeiras ao refúgio contemporâneo

O povoamento da região remonta às rotas de tropeiros no século XIX, quando viajantes transportaram sementes de trigo a partir da Bahia para viabilizar as primeiras lavouras e fixar os núcleos habitacionais do planalto.

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Hoje, a Chapada dos Veadeiros transforma essa herança histórica e o relevo preservado em um destino contínuo para quem busca descanso fora dos grandes centros urbanos.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Maiara Baloni é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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