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Rali pós-eleição perde força? O fator que deve definir próximos passos da bolsa e do dólar

09 out 2026, 12:51
flávio bolsonaro agenda climática
(Foto: Reuters/Diego Herculano)

Rali pós-eleição perde força? Fiscal deve definir próximos passos dos ativos brasileiros

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O bom desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas urnas no primeiro turno das eleições, assim como o de candidatos alinhados a ele nas disputas para o Congresso, foi recebido com entusiasmo pelo mercado, avalia a Capital Economics.

A consultoria considera que, em caso de vitória de Flávio no segundo turno, isso teria várias implicações macroeconômicas, com a primeira sendo uma mudança da política fiscal brasileira.

Na última semana, até a quinta-feira (8), a consultoria destaca que o Ibovespa (IBOV) acumula alta de mais de 6%, enquanto o real se valorizou 4% em relação ao dólar e o rendimento dos títulos públicos brasileiros de dez anos em moeda local caiu mais de 100 pontos-base.

“Esses movimentos são semelhantes à reação observada após o primeiro turno das eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro (pai de Flávio) teve um bom desempenho, embora as ações tenham apresentado uma valorização ainda maior desta vez”, observa a Capital Economics.

Fiscal segue ditando humor do mercado

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Em uma análise recente, a consultoria viu em que medida os ativos brasileiros tiveram desempenho superior ou inferior ao esperado após as duas eleições anteriores.

“Com base nesses parâmetros e nos movimentos observados até agora nos mercados financeiros — tanto antes da eleição, à medida que Flávio avançava nas pesquisas, quanto nesta semana —, a maior parte das notícias positivas já parece estar incorporada aos preços no mercado de câmbio e no mercado acionário”, avalia.

Com isso, a expectativa da Capital Economics é de que ainda pode haver espaço para novas quedas nos rendimentos dos títulos públicos em moeda local, uma vez que o Banco Central (BC) tem margem para prolongar o ciclo de redução dos juros.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, a consultoria lembra que os rendimentos dos títulos de dez anos caíram mais 100 pontos-base nos dois a três meses seguintes à confirmação de sua vitória presidencial, em 2018.

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“No entanto, para sustentar a alta dos mercados financeiros brasileiros e provocar novas quedas nos rendimentos dos títulos, será necessária uma ação fiscal concreta“, reitera no relatório.

Além disso, a imprensa tem noticiado a possibilidade de apresentação de uma proposta de emenda constitucional após a eleição, mas antes da posse presidencial, em 5 de janeiro, prevendo cortes de gastos de R$ 200 bilhões (cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto). Para a Capital Economics, uma medida desse tipo certamente seria bem recebida pelo mercado.

“Os detalhes, porém, continuam preocupantemente escassos. A equipe de Flávio negou os rumores de que os gastos com programas de assistência social poderiam ser reduzidos, e também há discussões sobre aumentos das aposentadorias acima da inflação”, diz a consultoria.

Sem mexer no “generoso sistema de proteção social”, a Capital Economics considera que é difícil imaginar como o próximo governo conseguirá impedir que a relação entre a dívida pública e o PIB continue aumentando.

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Isso contrasta com a situação de Jair Bolsonaro, que chegou ao poder com uma equipe econômica que já havia apresentado mudanças ambiciosas no sistema previdenciário, aprovadas em 2019.

Há espaço para cortar a Selic

Embora a inflação também tenha aumentado em setembro, a Capital Economics avalia que as taxas de juros reais muito elevadas e os sinais de enfraquecimento da economia dão ao Comitê de Política Monetária (Copom) margem para continuar reduzindo os juros.

“Acreditamos que um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, na reunião de novembro, é praticamente certo. O resultado eleitoral torna cada vez mais provável uma nova redução em dezembro”, diz.

Além disso, a consultoria vê espaço para que a taxa Selic caia dos atuais 13,75% para 11,50% no próximo ano, ou até menos. Essa projeção, porém, depende em parte de o próximo governo implementar algum grau de ajuste fiscal.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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