Trabalho

Dados de emprego sugerem economia perdendo força, apesar do desemprego em mínima histórica

30 jul 2026, 12:33
(Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

O mercado de trabalho brasileiro continua mostrando força, mas os indicadores divulgados nesta semana sugerem que o ritmo de expansão começa a perder intensidade.

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O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na quarta-feira (29), mostrou a criação de 145.161 vagas formais em junho, acima das expectativas do mercado. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), publicada nesta quinta-feira (30), apontou queda da taxa de desemprego para 5,4%, o menor nível para um trimestre encerrado em junho da série histórica.

À primeira vista, os números reforçam um mercado de trabalho ainda aquecido. No entanto, uma análise mais detalhada dos indicadores mostra sinais de desaceleração gradual da atividade.

No caso do Caged, apesar do saldo positivo de vagas, a tendência é de perda de fôlego. Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o indicador dessazonalizado mostrou geração líquida de 76 mil empregos em junho, acima dos 43 mil de maio, mas a média móvel de três meses recuou para 52 mil vagas, contra 98 mil no levantamento anterior.

“O resultado de junho indica alguma melhora em relação ao observado em maio na margem, mas não altera a leitura de desaceleração gradual do mercado de trabalho ao longo do ano”, afirma.

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Para o economista, a continuidade da geração de empregos e a resiliência do setor de serviços convivem com indicadores de atividade econômica que já apontam perda moderada de fôlego, o que deve resultar em uma acomodação adicional do mercado de trabalho no segundo semestre.

A Pnad também traz sinais nessa direção. Embora a taxa de desemprego tenha recuado para 5,4%, a série com ajuste sazonal mostrou leve alta, de 5,46% para 5,50%. Além disso, a população ocupada ficou praticamente estável nos últimos meses, enquanto o rendimento real habitual e a massa de rendimentos também apresentaram estabilidade na margem.

Na avaliação de Costa, a pesquisa do IBGE mostra um processo de desaceleração mais suave do que o observado pelo Caged. “A PNAD segue apontando resiliência no mercado de trabalho, com trajetória de desaceleração gradual”, diz.

Segundo ele, a estabilização da ocupação e uma taxa de desemprego próxima das mínimas históricas reforçam a expectativa de uma economia perdendo ritmo, mas sem sinais de deterioração brusca do mercado de trabalho.

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A leitura conjunta dos dois indicadores ajuda a explicar esse cenário. Segundo André Valério, economista sênior do Inter, Caged e Pnad contam histórias complementares. Enquanto a Pnad captura um mercado de trabalho ainda apertado, mas com desemprego praticamente estável quando descontados os efeitos sazonais, o Caged mostra que a geração de empregos formais perdeu intensidade ao longo dos últimos meses.

Além disso, a composição dos dados revela diferenças importantes. Pela Pnad, o emprego com carteira assinada no setor privado ficou praticamente estável, enquanto o avanço da ocupação ocorreu principalmente entre trabalhadores sem carteira e no setor público. Já no Caged, a surpresa positiva veio mais da redução dos desligamentos do que de uma aceleração disseminada das contratações, indicando menor dinamismo do mercado formal.

Para Valério, o conjunto dos indicadores aponta para um mercado de trabalho que permanece robusto em nível, mas avança para uma fase de moderação. A expectativa é de que a taxa de desemprego permaneça próxima dos níveis atuais nos próximos meses, enquanto a criação de vagas siga ocorrendo de forma mais heterogênea e em ritmo menos intenso.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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