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De compradora a concorrente: China muda jogo no mercado de frango; quais os impactos para o Brasil?

20 jul 2026, 11:35
Frango assado crocante
(iStock.com/tc397)

Por décadas, a China foi vista apenas como o maior comprador de alimentos do mundo. Agora, esse papel começa a mudar.

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Em relatório divulgado nesta segunda (20), o BTG Pactual chama atenção para uma “transformação silenciosa”, mas que pode alterar a dinâmica do mercado global de carne de frango: além de seguir como uma grande importadora, a China está se consolidando rapidamente como uma importante exportadora da proteína.

Na avaliação do banco, essa mudança aumenta a concorrência internacional e pode representar um risco estrutural para países exportadores, como o Brasil.

Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as exportações chinesas de carne de frango cresceram 41% em 2025, para quase 1,1 milhão de toneladas, e devem alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2026.

Caso a projeção se confirme, a China passará a ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de frango, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.

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O avanço é expressivo. Em menos de uma década, a participação chinesa nas exportações globais deve saltar de um nível praticamente irrelevante para cerca de 9,5%.

Produção cresce e amplia competição

Para o BTG, a expansão das exportações reflete o forte crescimento da produção doméstica.

A China já é o segundo maior produtor mundial de carne de frango. O USDA projeta crescimento de 7% na produção em 2025 e de mais 5% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas. Algumas estimativas do setor, segundo o banco, apontam para uma expansão ainda maior, em ritmo de dois dígitos.

“O efeito imediato é simples: mais oferta disponível para exportação, mais concorrência e, mantidas as demais condições, pressão adicional sobre os preços globais do frango”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

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Embora existam poucos dados públicos sobre os custos de produção das empresas chinesas, o BTG destaca que o histórico do país em ganhar escala rapidamente em diversos segmentos industriais indica que a China pode se tornar um dos produtores de menor custo do mundo.

Por que isso preocupa o Brasil?

O banco ressalta que a mudança merece atenção especialmente pelo perfil das exportações chinesas.

Enquanto continua importando grandes volumes de pés de frango e outros produtos com forte demanda doméstica, a China vem aumentando as vendas externas justamente de cortes menos consumidos internamente, como o peito de frango.

Esse é um ponto sensível para os exportadores brasileiros.

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Nos últimos doze meses, o peito de frango respondeu por 22% de todo o volume exportado pelo Brasil, sendo o principal corte embarcado individualmente e um dos que apresentam maior valor agregado.

Além disso, alguns dos principais compradores desse produto — como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — estão geograficamente mais próximos da China, o que pode favorecer a competitividade dos exportadores chineses em termos logísticos.

Na avaliação do BTG, se o país continuar ampliando sua capacidade produtiva e conquistar acesso a novos mercados, poderá se tornar um competidor estrutural para os frigoríficos brasileiros, pressionando preços internacionais e disputando espaço justamente em mercados considerados estratégicos para as exportações do Brasil.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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