Dólar sobe a R$ 5,04 com PIB e decisão dos EUA sobre crime organizado; moeda avança quase 2% em maio
O dólar ganhou força com o aumento de aversão a risco doméstico e dados macroeconômicos. O cenário geopolítico seguiu no radar.
Nesta sexta-feira (29), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0429, com alta de 0,22%.
O dólar destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,14%, aos 98.885 pontos.
Na semana, o dólar avançou 0,29%. Já em maio, a divisa norte-americana teve valorização de 1,82%.
O que mexeu com o dólar hoje?
O cenário geopolítico continuou a movimentar o mercado de câmbio.
Segundo fontes ao New York Times, a reunião do presidente norte-americano, Donald Trump, na Situation Room da Casa Branca durou cerca de duas horas, mas sem uma decisão sobre um novo acordo com o Irã.
Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que “as trocas de mensagens entre o Irã e os EUA continuam, mas nenhum acordo final foi alcançado”, segundo a IRNA, agência de notícias estatal iraniana.
Baghaei reiterou a posição de Teerã de que as negociações estão atualmente “focadas no fim da guerra” e não dizem respeito à “questão nuclear”, em entrevista por telefone a agência iraniana.
Desde a véspera, notícias relatam que Washington e Teerã chegaram a um acordo de extensão do cessar-fogo por 60 dias, mas o memorando oficial não foi divulgado.
Por aqui, o mercado também reagiu a dados macroeconômicos. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 (1T26). Na comparação anual, o PIB avançou 1,8%.
Segundo a mediana das projeções coletadas pelo Money Times, a expectativa era de um crescimento de 1,0% no primeiro trimestre de 2026, na margem, e de 1,8% na comparação anual. Já para o ano, a estimativa aponta expansão de 1,8% em 2026.
“O resultado confirma a leitura de atividade mais forte no primeiro trimestre, principalmente diante de incentivos pontuais do governo, principalmente a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) e a valorização do salário mínimo”, afirmou Antonio Ricciardi, economista do Daycoval.
Para ele, a economia deve desacelerar gradualmente daqui para frente.
O IBGE também revisou para cima o PIB para 0,1% no terceiro trimestre e para 0,3% no quarto trimestre de 2025.
Além disso, a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais pelo governo dos Estados Unidos também injetou aversão a risco no cenário local, dada a insegurança jurídica e possíveis impactos ao mercado financeiro brasileiro.
Na avaliação de Bruno Sashini, especialista de investimentos da Nomad, “a combinação entre o diferencial de juros ainda elevado, fluxo limitado vindo do exterior e ausência de novos catalisadores relevantes tem contribuído para um mercado de câmbio mais lateral, com investidores aguardando sinais mais claros do cenário doméstico”.