“Economia prateada”: Rede D’Or, Fleury e BradSaúde devem se beneficiar do envelhecimento do Brasil, diz EQI
Rede D’Or (RDOR3), Fleury (FLRY3) e BradSaúde (SAUD3) estão entre as ações mais bem posicionadas para capturar os ganhos do envelhecimento da população brasileira, segundo relatório da EQI Research. A casa afirma que a chamada “economia prateada” deve beneficiar principalmente empresas de saúde e serviços financeiros, enquanto educação e varejo voltados ao público jovem tendem a enfrentar desafios estruturais nas próximas décadas.
“A população mundial está passando por um processo de envelhecimento que trará profundas implicações para diversos setores da economia e para as empresas. No Brasil, essa realidade não é diferente”, afirmam os analistas João Neves e João Zanott.
Segundo eles, a combinação entre a queda da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida deve alterar de forma significativa a composição etária da população e, consequentemente, os padrões de consumo.
No Brasil, o processo ocorre em ritmo acelerado. Atualmente, a população cresce cerca de 0,4% ao ano, mas as projeções indicam que o país deverá começar a encolher a partir de 2044. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida já supera 76 anos e, em 2070, mais de 50% dos brasileiros deverão ter mais de 45 anos, ante menos de 34% atualmente.
“Esse processo tende a provocar mudanças relevantes nos padrões de consumo da população, uma vez que a composição dos gastos se altera de forma clara conforme a faixa etária”, destaca o relatório.
Saude se beneficiará
Na avaliação da EQI, a principal beneficiada pela mudança demográfica deve ser a cadeia de saúde. “O setor de saúde talvez seja um dos maiores beneficiados pela tendência de envelhecimento populacional, uma vez que a demanda por serviços de saúde é extremamente inelástica. À medida que a população envelhece, é esperado que a parcela da renda destinada a cuidados médicos cresça de forma significativa”, escrevem os analistas.
A casa afirma ainda que o aumento da utilização de hospitais, exames, planos de saúde e medicina diagnóstica tende a impulsionar toda a cadeia do setor.
Entre as preferências da EQI está a Rede D’Or. Segundo o relatório, a companhia ainda possui amplo espaço para expansão da rede hospitalar e ganhos de eficiência decorrentes da verticalização iniciada com a aquisição da SulAmérica.
“Entendemos que RDOR3 apresenta uma boa oportunidade hoje, uma vez que negocia em patamar atrativo, abaixo de sua média histórica, sem incorporar completamente sua capacidade de capturar crescimento com a tendência de envelhecimento populacional”, afirma a casa.
A BradSaúde também figura entre as principais convicções da EQI. “A companhia, resultante da reorganização dos ativos de saúde do Bradesco, combina liderança no mercado de saúde suplementar com uma estratégia de verticalização que, em nossa visão, ainda não está plenamente refletida no valuation”, dizem os analistas.
Já o Fleury é apontado como um dos nomes mais resilientes do setor. “A companhia se beneficia diretamente das tendências de envelhecimento populacional, uma vez que esse processo deve resultar em maior volume de exames realizados”, destaca o documento.
Além da saúde, a EQI vê oportunidades em empresas ligadas ao varejo farmacêutico, seguros, previdência privada, planejamento sucessório e gestão patrimonial. Segundo a casa, “pessoas em fase de patrimônio consolidado tendem a destinar parcela maior da renda à acumulação, proteção e planejamento patrimonial de longo prazo”, favorecendo instituições financeiras posicionadas nesses segmentos.
Educação e varejo impactados negativamente
Na outra ponta, a corretora avalia que empresas de educação devem enfrentar um cenário estruturalmente mais desafiador. “Com a queda da população jovem, o mercado endereçável dessas instituições tende a diminuir”, afirma o relatório. A EQI cita Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3), Ânima (ANIM3) e Ser Educacional (SEER3) entre as companhias potencialmente mais afetadas pela redução gradual da base de estudantes.
O estudo também vê ventos contrários para empresas de moda voltadas ao público jovem, como Lojas Renner (LREN3), C&A Brasil (CEAB3) e Azzas 2154 (AZZA3). “O varejo fast fashion e a moda voltada ao público jovem devem sofrer com um vento contrário duplo”, diz a EQI.
A research argumenta que a parcela da população que mais consome roupas tende a encolher, enquanto o grupo que mais cresce — os idosos — gasta menos com vestuário. O segmento de alimentação fora do lar também pode ser pressionado, já que consumidores mais velhos tendem a destinar uma parcela maior do orçamento às refeições preparadas em casa.