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Santander vê 22 ações da América Latina em fase favorável do ciclo de investimentos; veja as brasileiras

15 jul 2026, 15:47 - atualizado em 15 jul 2026, 15:48
Homem do mercado financeiro
(Imagem: Freepik/pressfoto)

O Santander identificou 22 empresas da América Latina que podem entrar em uma fase mais favorável do ciclo de capital, marcada por maior disciplina nos investimentos (capex), expansão de margens e aumento da geração de caixa livre. Segundo o banco, em um ambiente de juros globais mais elevados e investidores mais seletivos, companhias capazes de transformar investimentos em rentabilidade tendem a ganhar destaque.

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Em relatório de estratégia para ações latino-americanas, o Santander revisitou sua metodologia de análise do ciclo de capital das empresas, ampliando o universo de análise do Brasil para toda a América Latina. O estudo compara intensidade de investimentos, crescimento das receitas e evolução das margens entre os períodos de 2017 a 2021, 2024 a 2025 e as projeções para 2026 a 2028.

Para os estrategistas, o objetivo é identificar companhias que já estão “colhendo” os resultados de investimentos realizados nos últimos anos e aquelas que continuam investindo, mas com potencial de acelerar crescimento e rentabilidade no futuro.

Os analistas afirmam ainda que a cesta deve ser interpretada como um “mapa do ciclo de capital”, e não apenas como uma lista de empresas que reduziram investimentos.

As empresas que já colhem os frutos

O grupo denominado “Harvesting” reúne companhias cuja intensidade de investimentos já diminuiu ou está se normalizando, permitindo maior alavancagem operacional.

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Entre as brasileiras classificadas como “Clean Harvesters”, estão:

  • Embraer (EMBR3): passou pelo ciclo mais intenso de investimentos no desenvolvimento de aeronaves e agora deve crescer com menor necessidade de capital, impulsionada pelo avanço de programas como o C-390 e a família E2.
  • Smart Fit (SMFT3): após anos de forte expansão da rede de academias, a empresa combina crescimento das receitas com redução da intensidade de investimentos, favorecida pela maturação das unidades e do TotalPass.
  • Lojas Renner (LREN3): concluiu investimentos estruturais, como o centro de distribuição de Cabreúva, e deve continuar expandindo as vendas com uma base de capital mais eficiente.
  • TIM (TIMS3): entra em uma fase de maior eficiência após o ciclo mais pesado de investimentos em 5G, beneficiada também por um ambiente competitivo mais racional.
  • Telefônica Brasil (VIVT3): também deve reduzir a intensidade de investimentos com o fim da fase mais exigente da implantação do 5G, concentrando-se em extrair retorno da infraestrutura já instalada.

Segundo o Santander, essas empresas apresentam uma combinação mais clara de redução do capex com melhora operacional.

Já no grupo de empresas com retorno visível, mas ainda menos linear, aparecem:

  • Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Ânima (ANIM3): o setor de educação reduziu estruturalmente os investimentos após os ciclos de expansão e digitalização, com foco maior em geração de caixa e disciplina de capital, o que começa a se refletir nas margens.

Por sua vez, Hypera (HYPE3), Rede D’Or (RDOR3) e Klabin (KLBN11) foram classificadas como companhias em que os ganhos dos investimentos ainda estão surgindo ou permanecem parcialmente distorcidos por características específicas de seus setores.

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Segundo o Santander:

  • Hypera está concluindo um ciclo de expansão da capacidade produtiva e deve reduzir significativamente o capex a partir de 2027, abrindo espaço para ganhos de eficiência e maior geração de caixa.
  • Rede D’Or já passou pelo pico de investimentos ligados à expansão orgânica e aquisições, enquanto a maturação dos novos leitos tende a sustentar maior utilização dos ativos e estabilidade das margens.
  • Klabin reduziu os investimentos após projetos como Puma II e Caetê, mas o banco avalia que o retorno financeiro desses aportes ainda não ficou totalmente evidente.

Empresas que ainda estão investindo

O segundo bloco do estudo reúne empresas cujo nível de investimentos segue elevado, mas que, na avaliação do Santander, podem colher benefícios nos próximos anos por meio de crescimento, expansão das margens e maior geração de caixa.

Entre as brasileiras destacadas como “Planting with Growth Already Visible” estão:

  • Multiplan (MULT3): o ciclo recente de revitalização e expansão de shoppings já começa a impulsionar receitas e margens, enquanto os investimentos devem perder intensidade.
  • 3tentos (TTEN3): os investimentos em expansão de capacidade sustentaram forte crescimento das receitas e tendem a gerar maior alavancagem operacional à medida que o capex se normalize.
  • Rumo (RAIL3): segue investindo na expansão da malha ferroviária, mas o banco espera que, com a conclusão dos projetos, a companhia amplie capacidade, volumes transportados e Ebitda, reduzindo a intensidade dos investimentos.
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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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