MRV&Co (MRVE3) lidera ganhos da bolsa após venda de ativos da Luggo; JP Morgan vê avanço na desalavancagem
As ações da MRV&Co (MRVE3), conglomerado que reúne as marcas MRV Incorporação, Resia, Urba e Luggo, operam em alta nesta quarta-feira (15) e lideram os ganhos do índice Ibovespa, o principal da bolsa de valores brasileira.
Por volta das 13h50 (de Brasília), os papéis da companhia avançavam 2,7% na B3, negociados perto dos R$ 4,97.
A título de comparação, o IBOV, no mesmo horário, andava na contramão e exibia queda de 0,61%, aos 175.568 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
O desempenho positivo da MRV&Co ocorre após o conglomerado informar, na manhã desta quarta-feira (15), que assinou um memorando de entendimento (MoU) com a JiveMauá Real Estate para a venda de três ativos imobiliários pelo valor potencial de R$ 166 milhões.
A transação envolve os empreendimentos Luggo Pampulha, com 118 unidades, Luggo Mauá, com 119, e Luggo Samambaia, com 200, segundo mostrou o comunicado divulgado ao mercado.
Os imóveis deverão compor o portfólio de um fundo de investimento imobiliário (FII) que será constituído e gerido pela própria JiveMauá.
De acordo com a MRV&Co, a negociação está alinhada à estratégia de geração de caixa e simplificação operacional do grupo, além de marcar o encerramento do ciclo da antiga safra de projetos da Luggo.
A Luggo, cabe lembrar, é uma subsidiária da companhia que oferece empreendimentos projetados e desenvolvidos especificamente para o mercado de aluguel para, posteriormente, serem integralmente vendidos.
O que dizem os analistas?
De acordo com o JP Morgan, o anúncio da operação é mais um passo na direção da desalavancagem da empresa, que tem sido um dos pontos de atenção da tese de investimento nos últimos anos.
Segundo a casa norte-americana, porém, o impacto sobre a dívida líquida consolidada da MRV&Co será limitado, o que deve manter os investidores focados na geração de fluxo de caixa livre operacional como principal fator para a desalavancagem orgânica.
“A geração recorrente de fluxo de caixa livre (FCF) da companhia tem sido decepcionante”, criticou o banco, em relatório.
“Dados do primeiro semestre de 2026 (1S26) mostram que as operações da MRV no Brasil geraram apenas cerca de R$ 42 milhões em FCF, desconsiderando os efeitos da cessão de recebíveis”, acrescentou.
Além disso, a equipe do JP Morgan também destacou que esta é a primeira venda relevante de ativos da Luggo desde meados de 2021.
Os números da MRV&Co
No primeiro trimestre de 2026 (1T26), o conglomerado registrou prejuízo líquido de R$ 77,6 milhões, uma perda 78% menor em relação à apurada em igual período de 2025.
No critério ajustado (que exclui instrumentos financeiros sem efeito direto no caixa), o resultado foi um prejuízo de R$ 14,4 milhões, montante 94,5% menor na mesma base de comparação anual.
Segundo analistas, a melhora no prejuízo consolidado foi puxada pela principal divisão de negócios do grupo, a MRV Incorporação, voltada à atividade imobiliária brasileira. As demais operações, entretanto, ficaram no vermelho.
A MRV Incorporação, que possui foco no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), teve lucro ajustado de R$ 132,8 milhões no 1T26, um aumento expressivo em relação aos R$ 18 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Aqui, a receita líquida bateu em R$ 2,56 bilhões, alta anual de 17,6%, impulsionada pelo crescimento de lançamentos e vendas, o que contribuiu para diluição de custos.
No caso das outras frentes, a Resia, subsidiária da MRV&Co nos Estados Unidos (EUA), registrou prejuízo líquido de US$ 15,8 milhões no 1T26, contra uma perda de US$ 45,6 milhões no começo de 2025.
A unidade, cabe lembrar, está passando por um desmonte, com a previsão de vender US$ 800 milhões em terrenos e empreendimentos prontos, dos quais US$ 380 milhões (R$ 2 bilhões) já foram alienados.
As outras duas empresas do grupo também ficaram no vermelho: a própria Luggo registrou perdas de R$ 14 milhões, enquanto a loteadora Urba reportou prejuízo de R$ 13,4 milhões.
Considerando as operações no Brasil (MRV, Luggo e Urba), a MRV&CO fechou o 1T26 com dívida líquida de R$ 2,49 bilhões, queda de 2,2% na comparação com o 4T25. A alavancagem caiu para 41,2%, de 41,8%.
O grupo divulgará seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26) em 12 de agosto.
*Com informações da Reuters