‘O efeito é muito mais político do que comercial’: O que esperar da ação de Flávio Bolsonaro sobre o tarifaço, segundo especialista
As audiências envolvendo o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro e as tarifas comerciais dos EUA sobre o Brasil voltaram ao radar dos investidores. No entanto, o movimento tem um peso mais político do que comercial, segundo Thiago Salomão, fundador do Market Makers, em entrevista ao Giro do Mercado.
Na visão do especialista, o pronunciamento deve ser acompanhado principalmente pelos possíveis desdobramentos no cenário eleitoral.
A expectativa é de que o senador apresente alguma novidade, embora a proximidade das eleições torne difícil separar interesses políticos de objetivos econômicos, afirma Salomão.
“O Flávio é candidato, e tudo que um político fizer agora pode ser muito mais mirando a campanha do que o bem do Brasil. As duas coisas podem convergir e acho bom ele tentar reparar. Mas ficou muito estigmatizado, desde o ano passado, de que a família Bolsonaro estava ajudando no tarifaço”, apontou.
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O especialista destaca que o ambiente global também adiciona complexidade ao cenário. Segundo Salomão, o aumento das tensões geopolíticas e comerciais tem elevado o prêmio de risco nos mercados internacionais, com reflexos sobre a inflação.
“O mundo está ficando cada vez mais hostil. Essas negociações têm grande impacto, o prêmio pelo risco está aumentando e isso já tem efeito inflacionário global. A guerra piorou ainda mais essa situação”, diz.
Apesar disso, Salomão acredita que a iniciativa do senador dificilmente terá efeitos econômicos imediatos. “Temos que esperar para ver se, de fato, ele vai falar e como vai falar”, ressalta. Para o fundador do Market Makers, em um momento de escassez de notícias capazes de movimentar os ativos, qualquer novo fato relacionado ao tema pode gerar volatilidade.
Ainda assim, ele avalia que essas negociações não devem ser o principal vetor para os mercados: “O investidor tem que dar mais atenção para isso, até para procurar algum ruído a mais. Isso não deve ser o evento mais importante para ser monitorado, mas pensando em algum efeito de segunda ordem nas eleições, ainda precisamos acompanhar.”
Na visão de Salomão, a Bolsa brasileira segue muito mais sensível a fatores macroeconômicos e ao fluxo de capital do que aos fundamentos das empresas. Ele afirma que o Brasil enfrenta dificuldades para competir pelos investimentos globais, especialmente diante da concentração de recursos em companhias ligadas à inteligência artificial.
“O mercado brasileiro está muito mais suscetível a outros fatores, além do tarifaço […] Como temos muitos eventos importantes acontecendo para além das empresas, como as eleições, nosso mercado de ações tem ficado um tanto disfuncional. Acabamos respondendo muito mais ao fluxo de investimento, que tem sua importância no curto prazo, do que aos fundamentos de longo prazo”, destaca.
*Com supervisão de Juliana Américo