Lula x Flávio Bolsonaro: ‘A disputa continua travada’, diz editor do Money Times sobre corrida eleitoral
Os eleitores seguem fiéis aos seus candidatos para as eleições de 2026, com ou sem crise do Banco Master. Pelo menos é o que indicam as pesquisas BTG Pactual/Nexus e Datafolha desta semana.
No levantamento Nexus/BTG, a expectativa para o primeiro turno é de 40% de intenções de voto para Lula, contra 35% para Flávio Bolsonaro.
Já para o segundo turno Flávio recuou 2 pontos percentuais sobre abril, com 43%. Neste cenário, Lula aponta 47% das intenções, mantendo um empate técnico dentro da margem de erro. Para o segundo turno, o Datafolha segue a mesma projeção.
Segundo Gustavo Porto, editor de política do Money Times, os números causaram uma forte reação da oposição ao governo. O senador Marcos Rogério (PL) declarou, por exemplo, que a “crise não veio”. Além dele, o líder da oposição na câmara dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL) prevê um novo empate ou liderança numérica para Flávio Bolsonaro em 15 dias.
“Aparentemente, o eleitor bolsonarista, anti-lulista, ele continua anti-lulista e continua bolsonarista. Na pesquisa BTG Pactual, tivemos algumas perguntas sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e entre os eleitores que declararam voto em Lula, apenas 5% passaram a votar no presidente por causa do da polêmica envolvendo o senador”, afirmou o jornalista no Giro do Mercado desta segunda-feira (25).
Para Porto, o que pode ter favorecido o atual presidente foi a avaliação do governo, que saiu de 33% de avaliações de ótimo e bom para 37%, em comparação à última pesquisa Nexus. Já as avaliações de ruim ou péssimo caíram de 43% para 40%.
“O governo tomou várias ações que podem se transformar em voto, como o fim da taxa das blusinhas e o desenrola 2.0. Com isso, 73% dos entrevistados acharam correto o fim da taxação e 30% fizeram ou vão fazer a renegociação de dívidas dentro desse programa”, destacou.
O editor de política ainda relembrou outras ações que não foram incluídas na pesquisa, como a destinação de R$ 10 bilhões para financiamento de renovação de frota entre motoristas de aplicativo. “A categoria teve muito apreço no passado ao governo de Jair Bolsonaro e poderia apoiar a candidatura de Flávio”, afirma.
Porto ainda destacou o debate sobre uma possível mudança na candidatura da oposição, diante da crise em relação ao envolvimento de Flávio com o dono do Banco Master.
“Isso já foi descartado, a não ser que o escândalo ganhe escalas maiores. Algumas pesquisas chegaram a cogitar o nome de Michele Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro, mas o nome da ex-primeira-dama já foi completamente vetado pelo próprio ex-presidente, que é quem tem comandado as candidaturas do PL”, afirmou.
*Com supervisão de Juliana Américo