Encontro entre Trump e Xi Jinping movimenta bolsas e aumenta cautela dos investidores
Nesta quarta-feira (13), os mercados globais seguem movimentados por fatores geopolíticos, em especial pela expectativa em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping. Nos EUA, a inflação continua no radar e pressiona os ativos de risco globais, enquanto a guerra no Irã adiciona cautela aos investidores. Já no Brasil, o foco está na reta final da temporada de balanços corporativos, além das movimentações para as eleições presidenciais.
No Giro do Mercado, a apresentadora Paula Comassetto recebe Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, para comentar as principais notícias do dia.
O mercado opera em compasso de espera para o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China. A expectativa é por sinais sobre tarifas, comércio internacional e tecnologia, temas que seguem no centro das preocupações globais.
De acordo com o especialista, as expectativas para a conversa são elevadas e o encontro pode mexer com o humor dos investidores. Qualquer indicação de retomada do diálogo tende a favorecer ativos de risco, especialmente commodities e mercados emergentes. Por outro lado, um discurso mais duro pode fortalecer o dólar e pressionar as bolsas.
“O encontro traz um certo otimismo, mas Trump e Xi Jinping são figuras muito imprevisíveis. O que se espera é mais uma gestão de danos do que uma abertura comercial mais ampla. Principalmente os temas ligados à tecnologia devem estar em foco, especialmente com a presença de Elon Musk”, afirmou Nicola.
Outro destaque internacional é a divulgação do PPI, índice que mede a inflação ao produtor nos EUA. Os números divulgados hoje apontaram a maior alta para o mês de abril em quatro anos, com avanço de 1,4%. O indicador pode refletir o aumento dos custos provocado pelo conflito no Oriente Médio.
“Os dados complementam o CPI de ontem, que também veio elevado. Dessa forma, vemos uma inflação tanto para o consumidor quanto para o produtor bastante resiliente. Isso impacta as decisões de juros do Federal Reserve e pode limitar os cortes”, explicou o especialista da AVIN.
No Brasil, o mercado acompanha as eleições presidenciais, com a divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta manhã. O levantamento mostra Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno em 2026, mas dentro da margem de erro, mantendo o cenário de empate técnico.
Ontem (12), o presidente Lula assinou uma medida provisória para zerar a tributação federal sobre produtos de até US$ 50 comprados em plataformas internacionais — a chamada “taxa das blusinhas”, que previa uma taxação de 20% para compras internacionais até esse valor.
“O impacto é negativo para as varejistas, porque aumenta a concorrência. Para o consumidor, é excelente, porque abre espaço para mais disputa por preço, taxas e frete, por exemplo. Mas, para as companhias do varejo, não é uma notícia positiva na perspectiva da bolsa”, avalia Nicola.
*Com supervisão de Juliana Américo