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Energia nuclear volta ao radar com IA e tensões globais — China puxa a fila

09 jun 2026, 10:42 - atualizado em 09 jun 2026, 10:42
China morning agenda wall street ibovespa
(Imagem: REUTERS/Kim Kyung-Hoon)

A energia nuclear voltou ao centro da agenda global, impulsionada por dois vetores relevantes: a forte expansão da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial e a renovada preocupação com segurança energética após as tensões no Estreito de Ormuz.

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Como fonte de geração firme, estável e sem emissões diretas de carbono, a energia nuclear reúne atributos cada vez mais valorizados no cenário atual: confiabilidade, baixa intermitência e menor dependência de combustíveis fósseis.

Nesse novo ciclo, a China desponta como a grande protagonista. O país responde por quase metade dos novos reatores em construção no mundo e deve alcançar, até 2030, a maior frota nuclear global. Ainda assim, dada a escala gigantesca do sistema elétrico chinês, a energia nuclear continuará representando uma parcela relativamente pequena da matriz, inferior a 10% da geração total, enquanto solar e eólica seguem avançando em ritmo mais acelerado.

O avanço chinês é resultado de uma estratégia de longo prazo baseada em padronização tecnológica, domínio da cadeia de fornecedores e redução de custos.

Diferentemente dos Estados Unidos e da França, onde os custos de construção nuclear aumentaram ao longo do tempo, a China conseguiu tornar seus projetos mais competitivos ao concentrar esforços em poucos modelos de reatores, substituir componentes importados por nacionais e reduzir o tempo médio de construção para cerca de seis anos.

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O resultado é uma indústria doméstica mais eficiente, capaz de construir usinas nucleares a custos significativamente inferiores aos observados em projetos recentes no Ocidente. Essa vantagem reforça a atratividade da energia nuclear como fonte complementar às renováveis, especialmente em um mundo que precisará de eletricidade abundante, limpa e constante para sustentar a inteligência artificial, a eletrificação industrial e a segurança energética.

O principal gargalo, porém, está no combustível da energia nuclear: o urânio. A oferta global permanece apertada após anos de baixo investimento em mineração desde Fukushima, enquanto a demanda cresce com a retomada da construção de reatores.

A produção mundial está concentrada em poucos países, especialmente Cazaquistão e Canadá, e a China depende de importações para algo entre 80% e 90% de suas necessidades, o que transforma a segurança de suprimento em uma prioridade estratégica. Por isso, Pequim vem adquirindo participações em minas de urânio, sobretudo na Namíbia e no Cazaquistão, além de ampliar sua capacidade de enriquecimento para reduzir dependências externas.

Para os investidores, a mensagem é construtiva: a retomada da energia nuclear fortalece uma tese estrutural para o urânio, que tende a se beneficiar da combinação entre demanda crescente, oferta concentrada, estoques limitados e busca global por fontes de energia limpa.

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Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam capturar essa tendência de longo prazo.

No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer exposição ao tema por meio da B3. Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira.

Como sempre, seguem válidos os princípios fundamentais da boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina.

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Economista e especialista em investimentos da Empiricus
Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus, participando de séries como Palavra do Estrategista e Double Income, além do programa Empiricus Private junto do Felipe Miranda, estrategista-chefe e um dos fundadores da casa. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus, participando de séries como Palavra do Estrategista e Double Income, além do programa Empiricus Private junto do Felipe Miranda, estrategista-chefe e um dos fundadores da casa. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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