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Engorda de dividendos: Ação do agro supera Petrobras (PETR4) como maior pagadora do Brasil, mostra ranking gringo

15 set 2026, 16:42 - atualizado em 15 set 2026, 16:43
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Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Ainda que a bolsa brasileira tenha deixado a desejar, os investidores encontraram outra forma de embolsar retorno no segundo trimestre de 2026. As empresas brasileiras distribuíram US$ 4,4 bilhões em dividendos, cerca de R$ 22,65 bilhões, no período, uma alta de 12,8% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

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E a maior pagadora de dividendos entre as empresas brasileiras não foi a Petrobras (PETR3; PETR4) — nem sequer é negociada diretamente na B3, a bolsa de valores brasileira.

Enquanto isso, o Ibovespa acumulou alta de 15,70% desde o início do ano.

Os dados fazem parte do Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson, que acompanha a distribuição de proventos e os programas de recompra das maiores companhias do mundo.

Entre os 45 países analisados pela gestora, o Brasil ficou em 26º lugar, empatado com a Bélgica. O país respondeu por 38% dos dividendos pagos por empresas da América Latina, a maior fatia da região.

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Globalmente, os dividendos alcançaram US$ 757,8 bilhões no segundo trimestre, com crescimento subjacente de 7,3%.

As empresas brasileiras que mais pagaram dividendos

O Brasil distribuiu US$ 4,4 bilhões em dividendos no segundo trimestre, com crescimento subjacente de 12,8%, já descontados os efeitos cambiais e pagamentos extraordinários.

Entre as dez empresas brasileiras que mais entregaram dividendos, a JBS aparece na primeira posição. A gigante do processamento de carnes registrou um aumento expressivo no dividendo por ação, de US$ 0,35 para US$ 1,00.

Embora seja negociada na Bolsa de Nova York, a companhia também pode ser acessada por meio do BDR JBSS32 na B3.

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Na sequência aparecem Petrobras, Vivo (VIVT3), Bradesco (BBDC3; BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Rede D’Or São Luiz (RDOR3), B3 (B3SA3) e Sabesp (SBSP3).

Globalmente, o setor financeiro permaneceu como a principal fonte de dividendos, com US$ 239,7 bilhões distribuídos, alta de 8,1%.

No total, as 1.500 companhias analisadas pelo índice entregaram US$ 572 bilhões em dividendos, um crescimento nominal de 26,8%. O ranking foi liderado pela petroleira saudita Saudi Aramco, seguida por Nestlé e HSBC.

A Saudi Aramco ocupa a liderança do ranking há pelo menos quatro trimestres consecutivos.

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Veja as dez maiores pagadoras de dividendos do mundo:

  1. Saudi Aramco Oil Co.
  2. Nestlé S.A.
  3. HSBC Holdings
  4. Allianz SE
  5. Microsoft Corporation
  6. Nvidia
  7. Tencent Holdings
  8. Agricultural Bank of China Limited
  9. PetroChina
  10. Zurich Insurance Group

Recompra de ações ganha espaço

Apesar do forte crescimento dos dividendos, o mecanismo preferido pelas companhias para gerar retorno aos acionistas no período foi outro: a recompra de ações.

Os programas globais de recompra alcançaram US$ 572 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A preferência pelas recompras está relacionada à maior flexibilidade desse mecanismo. Dividendos regulares são difíceis de reduzir depois de estabelecidos, o que faz com que as companhias recorram cada vez mais à recompra de ações para devolver capital aos acionistas sem assumir o compromisso de manter uma taxa de distribuição permanentemente mais alta.

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O setor de tecnologia ultrapassou o financeiro e se tornou a maior fonte de recompras, com US$ 121,1 bilhões em ações recompradas.

A tecnologia também apresentou o crescimento subjacente mais acelerado nos dividendos entre todos os setores, de 23,5%, com pagamentos que totalizaram US$ 70,5 bilhões.

No Brasil, as companhias recompraram US$ 1,1 bilhão em ações, o que colocou o país como o maior comprador da América Latina. O México veio em seguida, com US$ 400 milhões em recompras.

Quais são as principais tendências para os dividendos no mundo?

As projeções atuais para o ano-calendário de 2026 apontam para um crescimento de 5% a 6% nos dividendos e de 7% a 8% nas recompras de ações.

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A Janus Henderson mantém uma perspectiva positiva para as distribuições globais, que permanecem fortes e mais resilientes do que o cenário econômico poderia sugerir.

Ainda assim, há alguns pontos de atenção.

Um deles é a incerteza geopolítica, que aumenta as pressões inflacionárias, embora isso ainda não tenha se traduzido em uma deterioração dos pagamentos aos acionistas.

Outro ponto é o ambiente de consumo. A confiança permanece frágil, com pressão especialmente visível nas compras discricionárias de maior valor.

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O avanço da inteligência artificial (IA) também aparece como um dos principais destaques. Até agora, o setor de tecnologia conseguiu combinar níveis muito elevados de investimento em infraestrutura e tecnologia com recompras substanciais de ações.

No entanto, caso os investimentos continuem aumentando, como vem ocorrendo, as empresas podem passar a gerar menos caixa. Nesse cenário, “esse equilíbrio poderá se tornar mais difícil de sustentar”, afirma o relatório.

“Se os investimentos em IA continuarem elevados, as empresas poderão eventualmente precisar fazer escolhas mais difíceis entre financiar o crescimento, preservar a flexibilidade dos balanços e sustentar o ritmo atual de recompras.”

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