Guerra Comercial

EUA confirmam tarifas de 25% sobre produtos do Brasil

15 jul 2026, 22:21 - atualizado em 15 jul 2026, 22:50
Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump 8 de junho de 2026. REUTERS/Nathan Howard

O governo dos Estados Unidos decidiu pela imposição de novas tarifas sobre produtos importados do Brasil. A informação foi confirmada em uma entrevista coletiva na noite desta quarta-feira (15) pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.

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Segundo Greer, o presidente Donald Trump concordou com a recomendação do USTR e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. “Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, disse Greer.

Representantes do USTR sinalizaram que publicarão detalhes e uma lista oficializando os produtos que serão afetados no Federal Register, uma espécie de Diário Oficial, nas próximas horas. Segundo a CNN Brasil, Greer antecipou que café e carnes ficarão de fora da taxação.

O que motivou esse novo tarifaço

A proposta de nova taxação é resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo norte-americano adotar medidas contra práticas consideradas desleais por parceiros comerciais.

Aberta em julho de 2025, a investigação concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e estariam restringindo ou onerando o comércio dos EUA, levando o órgão a sugerir a aplicação de tarifas adicionais sobre bens importados do Brasil.

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O relatório do USTR concentra suas críticas em seis frentes: comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos — incluindo questionamentos sobre o ambiente regulatório do Pix e de plataformas digitais —, tarifas consideradas preferenciais concedidas a alguns parceiros comerciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso de produtores norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

Segundo o governo dos EUA, esses fatores prejudicariam empresas e exportadores americanos e justificariam uma resposta comercial.

As evidências contrárias apresentadas pelo Brasil foram ignoradas, dizem os negociadores brasileiros.

Em carta enviada ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que os EUA não conseguiram confirmar as acusações e insistiram em informações erradas. Vieira classificou a investigação de “arbitrária” e parte de uma “pressão econômica generalizada imposta pelos EUA”.

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Representantes de vários grupos comerciais, incluindo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), participaram de audiências públicas em Washington questionando a taxação.

* Com Estadão Conteúdo e Reuters

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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