Terrorismo

Governo cita família Bolsonaro e falsos patriotas envolvidos com crime organizado para rebater decisão dos EUA sobre PCC e CV

29 maio 2026, 13:10 - atualizado em 29 maio 2026, 13:10
Governo ataca Flávio Bolsonaro, que articulou a ação dos EUA contra PCC e CV (REUTERS/Mateus Bonomi)

O governo brasileiro divulgou no início da tarde desta sexta-feira (29), uma dura nota na qual ataca a “família Bolsonaro” e considera seus integrantes como responsáveis pela decisão dos Departamento de Estado dos Estados Unidos de considerar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) organizações terroristas. No documento, divulgado pelo Palácio do Planalto o governo informa que a “segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”.

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“Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros. É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço` que causou tantos danos ao nosso país”, informa o documento, se referindo ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que mora nos Estados Unidos desde 2025, e o seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro esteve esta semana em Washington e pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump, a autoridades do governo e a representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que a decisão sobre PCC e CV fosse feita, o que ocorreu na noite de ontem. “Grande dia”, postou o senador após o anúncio.

Além dos ataques aos Bolsonaro, o governo informa que construiu “ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos” e que o Brasil apresentou, em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, “uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil”.

No final, a nota informa que a decisão sinaliza um “possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos e concluiu: “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

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Leia a nota completa

Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

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É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

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Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.

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Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
Jornalista formado pela PUC-Campinas, com pós-graduação em Agronegócios pela Faap. Com mais de 30 anos de profissão, atuou como repórter e editor na Folha de S.Paulo e na Broadcast/Estadão, entre outros veículos. Atualmente é editor-assistente de Política e Conjuntura no Money Times.
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