Minha Casa Minha Vida

Governo estuda juros menores no MCMV, mas aperto no FGTS pode frear expansão, diz Itaú BBA

30 jun 2026, 10:36 - atualizado em 30 jun 2026, 10:36
Impulsionado pelo MCMV, fundo imobiliário mira projeto de R$ 58 milhões em São Paulo (Imagem: gerada no Copilot)
(Imagem: gerada no Copilot)

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderá alterar, mais uma vez, as regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), em uma tentativa de ampliar o poder de compra da renda média e média-alta, segundo analistas do Itaú BBA, que se reuniram recentemente com um membro do órgão.

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Em relatório, o banco apontou que o colegiado estuda a criação de “subfaixas” dentro das atuais Faixas 3 e 4 do programa habitacional.

A mudança, de acordo com a instituição, teria como objetivo reduzir as taxas de financiamento em determinados grupos de renda e, com isso, ampliar o valor dos imóveis acessíveis às famílias.

Potenciais alterações

Na Faixa 3, por exemplo, que hoje tem juros em média de 7,66% ao ano e atende famílias com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 9,6 mil, a proposta prevê a divisão em três níveis.

Famílias que ganham até R$ 6 mil teriam juros reduzidos para 6,66%, enquanto o grupo que recebe entre R$ 6 mil e R$ 7 mil pagaria 7,16%. A taxa atual seria mantida para quem tem renda entre R$ 7 mil e R$ 9,6 mil.

Faixa de renda mensalJuros atuaisProposta em estudo
R$ 5 mil a R$ 6 mil7,66% (referência)6,66% ao ano
R$ 6 mil a R$ 7 mil7,66% (referência)7,16% ao ano
R$ 7 mil a R$ 9,6 mil7,66% (referência)7,66% ao ano (mantido)
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Para a Faixa 4, que abrange famílias que ganham entre R$ 9,6 mil a R$ 13 mil e atualmente cobra juros de até 10%, o estudo prevê redução da taxa para 8,66%.

Além disso, também estão em avaliação a criação de duas novas subdivisões: famílias com renda de até R$ 15 mil pagariam 9,16% ao ano, enquanto aquelas com renda de até R$ 21 mil ficariam no teto de 10%.

Faixa de renda mensalJuros atuaisProposta em estudo
R$ 9,6 mil a R$ 13 milAté 10% ao ano8,66% ao ano
R$ 13 mil a R$ 15 mil9,16% ao ano
R$ 15 mil a R$ 21 mil10% ao ano

Para os analistas do BBA, caso todas as mudanças sejam implementadas, o sistema deixaria de operar em “blocos amplos” e passaria a funcionar como uma “escada de juros mais fina”.

O impacto estimado seria um aumento do poder de compra de 5% a 10% das famílias na Faixa 3 e de 15% a 35% na Faixa 4.

Pressão sobre o FGTS pode limitar avanços

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Apesar das discussões, o relatório destaca que há um possível “limitador” para a implementação das medidas: a piora na situação financeira do FGTS, principal funding (fonte de financiamento) do Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com o banco, saques extraordinários, como o saque-aniversário e outras liberações antecipadas, reduziram a liquidez do fundo.

O BBA, inclusive, cortou a projeção de caixa do FGTS ao fim de 2026 de R$ 175 bilhões para R$ 165 bilhões.

A casa também espera que o saldo continue em queda nos próximos anos, podendo chegar a R$ 153 bilhões em 2029, contra R$ 183 bilhões em um cenário sem saques adicionais.

Fundo Social pode ser fonte complementar

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O relatório cita o Fundo Social do Pré-Sal como possível fonte complementar de recursos para o programa habitacional. O mecanismo, cabe lembrar, já foi utilizado anteriormente para viabilizar a Faixa 3 do MCMV.

No entanto, diferentemente do FGTS, que possui destinação estrutural para habitação, o Fundo Social depende de aprovação orçamentária anual, o que pode dificultar o planejamento de longo prazo.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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