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Hapvida (HAPV3): BTG Pactual diz que o ‘tempo está correndo contra’ e passa a tesoura no preço-alvo

19 ago 2026, 15:52
Hapvida HAPV3 Ações
(Imagem: iStock.com/Sergii Chervov | Montagem: Anna Zeferino)

O BTG Pactual cortou o preço-alvo das ações da Hapvida (HAPV3) quase pela metade, em revisão às estimativas após o balanço do segundo trimestre (2T26).

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O banco reduziu o preço projetado para os próximos 12 meses de R$ 15 para R$ 8, o que ainda implica um potencial de valorização de 18% sobre o preço de fechamento da última terça-feira (18). A recomendação neutra foi mantida.

Em relatório, os analistas Samuel Alves e Maria Resende afirmaram que a operadora de saúde “tem um longo caminho pela frente”, considerando os ‘desafios’ evidenciados no 2T26: escalada da judicialização, frequências ainda elevadas, sinistralidade (MLR) alta, provisões contingenciais e penalidades da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) elevadas, aumento das despesas corporativas e deterioração dos fundamentos do balanço, com consumo significativo de caixa.

A dupla reduziu a projeção de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) em 25% para este ano, para R$ 2,162 bilhões, e em 30% para 2027, para R$ 2,203 bilhões. Vale destacar que nos últimos dois anos, o BTG reduziu a estimativa inicial de Ebitda para 2026 em 60%.

“Essa revisão dramática destaca não apenas o quanto o ambiente operacional se tornou desafiador, mas também a visibilidade excepcionalmente baixa sobre a trajetória de resultados da companhia”, destacaram os analistas.

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Em reação, HAPV3 opera entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quarta-feira (19). Por volta de 15h30 (horário de Brasília), as ações caíam 2,65%, a R$ 6,60, enquanto o IBOV tinha ganho de 0,93%, aos 167.878,72 pontos.



O principal risco de Hapvida

Para BTG Pactual, o problema da judicialização continua sendo um dos principais riscos para a tese de investimentos da Hapvida.

“A questão se tornou uma das principais responsáveis pela forte deterioração do fluxo de caixa livre (FCF) da Hapvida, adicionando mais uma camada de complexidade a uma situação de balanço que já é desafiadora”, escreveram os analistas Samuel Alves e Maria Resende.

“Daqui para frente, acreditamos que a judicialização continuará sendo uma importante fonte de consumo de caixa”, acrescentaram.

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No 2T26, os novos bloqueios judiciais cíveis chegaram a R$ 350 milhões, alta ante R$ 224 milhões no primeiro trimestre e R$ 187 milhões no 4T25. Em outras palavras, os novos bloqueios trimestrais praticamente dobraram em menos de um ano.

Os analistas, por sua vez, não veem nenhuma melhora relevante nessa tendência e estimam que os novos bloqueios judiciais aumentarão em mais R$ 385 milhões até o fim de 2026, sem redução do saldo acumulado até dezembro de 2027.

Outro ponto preocupante, na visão do BTG, é a queima de caixa da companhia. “Embora a Hapvida ainda tenha uma posição de caixa sólida, de R$ 8,0 bilhões, ou R$ 5,3 bilhões excluindo o caixa restrito — saudável em comparação com amortizações de dívida de R$ 2,2 bilhões nos próximos dois anos —, o consumo contínuo de caixa significa que o tempo está correndo contra a companhia”, diz o relatório.

Os números do 2T26

No 2T26, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões, tombo de 95,8% ante o resultado registrado um ano antes.

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A empresa apurou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 504,4 milhões, queda de 44,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025.

Já a taxa de sinistralidade ficou em 75,2%, alta de 1,3 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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