Hypera (HYPE3) salta mais de 5% com melhora do resultado no 1T26; confira o que dizem os analistas
A Hypera (HYPE3) chegou a saltar 5,77%, a R$ 23,28, e zerou as perdas do papel no ano após reverter o prejuízo com o resultado do primeiro trimestre de 2026 (1T26). O balanço, na avaliação de analistas, teve um destaque positivo: o desempenho do sell-out.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 346,8 milhões no 1T26, ante resultado negativo em R$ 141,1 milhões no mesmo período do ano passado.
A receita líquida da Hypera somou R$ 2,01 bilhões, uma alta de 86,7% na comparação anual. Segundo a empresa, o crescimento forte tem efeito relevante de base, já que o 1T25 foi impactado pelo processo de otimização de capital de giro — que reduziu vendas naquele período — além da recuperação operacional mais recente.
Adicionalmente, a dinâmica operacional foi puxada pelo avanço do sell-out — o indicador que mede as vendas efetivas no varejo —, ou seja, o quanto os produtos são vendidos pelas farmácias ao consumidor final, e não apenas o volume distribuído pela indústria.
Segundo analistas, ainda há pontos de atenção após o balanço do 1T26, como as margens pressionadas da Hypera e observar se os números do sell-out são sustentáveis à frente. Além disso, uma casa cortou o preco-alvo da ação, devido à avaliação de uma relação risco-retorno pouco atrativa.
Por volta das 11h55 (horário de Brasília), a HYPE3 avançava 4,91%, a R$ 23,09.
FCF pouco atrativo e corte de preço-alvo de HYPE3
O BTG Pactual considera que os resultados do 1T26 vieram em linha com o esperado, com o lucro líquido acima das expectativas do banco. Além disso, a receita líquida, de R$ 2 bilhões, um avanço de 87% na comparação anual, reflete ainda uma base de comparação mais fraca devido ao processo de otimização do capital de giro do mesmo período de 2025.
O banco destaca ainda a melhora no fluxo de caixa livre (FCF, em inglês) com capex menor e redução da alavancagem para 2,2x a relação entre dívida líquida e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ante 3,7x no trimestre anterior.
Com a incorporação dos resultados recentes e ao considerar o aumento do capital privado de R$ 1,5 bilhão, o BTG manteve a recomendação neutra para a Hypera, mas cortou o preço-alvo do papel de R$ 27 para R$ 26, com potencial de valorização de 18,1% em relação ao fechamento anterior (28).
A mudança, segundo o banco, reflete a expectativa de um rendimento do FCF pouco atrativo no curto prazo, com estimativas de cerca de 6% em 2026 e 8% em 2027.
“Além disso, vemos um momento limitado de crescimento de lucros, o que dificulta uma visão mais construtiva para a ação”, acrescenta o BTG, que, por ora, considera que a Hypera não oferece uma relação risco-retorno suficientemente atraente neste momento.
Desempenho sólido de sell-out
Na avaliação do Itaú BBA, as tendências de receita mais fortes do que o esperado foram uma surpresa positiva, enquanto, por outro lado, um início de ano mais fraco nas margens limita o potencial de alta nas estimativas.
O Ebitda, de R$ 586 milhões, veio em linha com o esperado pelo banco. No entanto, a margem Ebitda, de 29%, trouxe um número abaixo do consenso, o que pode indicar pressão sobre a rentabilidade no ano cheio. O BBA estima uma margem de 33,5% para 2026.
“Também observamos uma conversão mais fraca para o fluxo de caixa livre para acionista (FCFE), em grande parte devido à maior concentração de vendas em fevereiro e março, levando a um aumento mais significativo de contas a receber entrando no 2T26”, detalha o banco de investimentos.
Segundo o BBA, o mercado naturalmente buscará confirmação de que o ritmo mais forte de sell-out da Hypera pode ser sustentado nos próximos meses — um tema que provavelmente será destaque na teleconferência de amanhã — antes de ajustar as estimativas de receita o suficiente para compensar a margem mais fraca.
O BBA manteve a recomendação de compra da ação e preço-alvo de R$ 33, com potencial de valorização de 49,9% ante o último fechamento.
Resiliência operacional da Hypera
Para o Bradesco BBI, o conjunto de indicadores do balanço da Hypera reforça a resiliência operacional da companhia, com sell-out acima do esperado, o que sinaliza boa execução comercial e maior tração dos lançamentos recentes, compensando parcialmente os efeitos sazonais sobre receita e margens do trimestre.
“Embora a geração de caixa tenha vindo temporariamente mais fraca, entendemos que o movimento está ligado à dinâmica sazonal do capital de giro e tende a se normalizar ao longo do ano”, afirma o BBI.
O banco manteve a recomendação de compra para o papel, sustentada por um valuationconsiderado atrativo, com a ação negociada a cerca de 8,5x o lucro estimado para 2026, e pela solidez no modelo de negócios.
Demanda segue forte
Segundo o Santander Brasil, a aceleração do sell-out da HYPE3 ocorreu mesmo com a empresa reduzindo descontos e diminuindo despesas de marketing no trimestre, uma sinalização positiva de que as marcas da Hypera e seus novos lançamentos continuam gerando forte demanda.
Como resultado, o banco considera possíveis revisões positivas de receita, caso o nível de sell-out se mantenha em 9% ao longo do ano, ante estimativa de 7,5% para 2026.
“É importante destacar que este é o primeiro conjunto de resultados do 1T26 após a conclusão do processo de otimização de capital de giro, e, portanto, a empresa voltou à sua sazonalidade histórica, que geralmente implica receitas e margens mais baixas no primeiro trimestre”, explica o Santander.
Ainda assim, o ciclo de caixa se deteriorou, principalmente os recebíveis que aumentaram para 66 dias, afirma o banco. No entanto, a Hypera afirmou que isso se trata de um efeito sazonal, e a política de prazo de recebimento concedida aos clientes permaneceu em cerca de 60 dias.
“De forma geral, acreditamos que a Hypera continua sendo uma história resiliente, negociando a um múltiplo atrativo de cerca de 8x a relação entre preço e lucro (P/L), enquanto oferece um dividend yield estimado de aproximadamente 5% para 2026″, diz.
O Santander segue com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 30,50, o que implica um potencial de valorização de cerca de 38,6%.