Ibovespa ignora queda em Wall Street e sobe com ata do Copom em aberto; dólar avança a R$ 5,18
O Ibovespa (IBOV) avançou com a entrada de fluxo estrangeiro, após a liquidação de ativos ligados à inteligência artificial promover uma busca por diversificação dos investidores, além da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) deixar em aberto espaço para novos cortes, o que beneficia a bolsa.
Nesta terça-feira (23), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 0,52%, aos 171.258,87 pontos.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1874, em alta de 0,89%.
No cenário doméstico, o mercado acompanhou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que ainda deixou em aberto os próximos passos da política monetária.
No documento, o Banco Central (BC) reiterou a assimetria altista, com a inflação elevada, as expectativas inflacionárias desancoradas e a necessidade de disciplina na política fiscal.
Na avaliação do Itaú, ao caracterizar o balanço de riscos como tendo assimetria altista, o comitê sinaliza que qualquer espaço que ainda exista para a flexibilização monetária está se esgotando rapidamente.
"As autoridades parecem particularmente preocupadas com evidências de que a atividade econômica pode estar ganhando tração, ao invés de desacelerar. E explicam a decisão de cortar a taxa de juros como uma tentativa de evitar volatilidade excessiva no instrumento de política monetária, nos preços dos ativos e na atividade econômica", considera o banco.
O Itaú menciona ainda a retirada do trecho de que a decisão havia sido tomada "neste momento", o que historicamente indica que o quadro pode mudar no curto prazo, além da reintroduçao da referência ao choque do petróleo.
Altas e quedas do Ibovespa
Entre os pesos-pesados, o setor de bancos fechou no tom negativo: Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com avanço de 0,52%. Itaú (ITUB4), que detém cerca de 8% da participação na carteira do IBOV, subiu 0,27% (R$ 41,05).
Petrobras (PETR4;PETR3), que detém cerca de 12% de participação da carteira do índice, encerrou o pregão em alta, destoando do desempenho do petróleo após a assinatura de Memorando de Entendimento (MoU) com a mexicana PEMEX. O Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em baixa de 0,93%, a US$ 76,80 o barril.
PETR3 terminou o dia com alta de 0,78% (R$ 43,98) e PETR4 registrou ganho de 0,41% (R$ 39,33).
Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, no entanto, seguiu o desempenho do minério de ferro – o contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro, encerrou as operações em Dalian, na China, com baixa de 0,54%, a 738,5 yuans (US$ 109) a tonelada. VALE3 recuou 1,89% (R$ 79,38).
Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A positiva do Ibovespa foi liderada pela MBRF (MBRF3), com alta de 9,88%, a R$ 16,80.
Já a ponta negativa foi liderada por Magazine Luiza (MGLU3), que fechou a sessão com baixa de 5,15% (R$ 4,42).
Exterior
Os índices de Wall Street fecharam em baixa estendendo as perdas do setor de tecnologia com temores de uma bolha de IA.
Além disso, à espera do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, em inglês) de maio, que será divulgado na quinta-feira (25), o mercado calibra as apostas de juros mais elevados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
O Bank of America (BofA), em revisão de cenário econômico, passou a incorporar ao cenário três altas de 0,25 ponto percentual pelo Fed neste ano.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,09%, aos 51.666,84 pontos;
- S&P 500: -1,44%, aos 7.365,46 pontos;
- Nasdaq: -2,22%, aos 25.587,039 pontos.
Na Europa, os índices fecharam em queda como reflexo da baixa das ações de tecnologia. Hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 teve baixa de 0,73%, aos 634,63 pontos.
Na Ásia, os índices também registraram perdas com o "sell-off" de tecnologia. O índice Nikkei, do Japão, caiu 3,55% os 69.788,38 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,82%, aos 23.336,28 pontos.