Mercados

Ibovespa recua mais de 2% com Vale (VALE3) e à espera de Copom; dólar sobe a R$ 5

29 abr 2026, 17:17 - atualizado em 29 abr 2026, 17:32
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(Imagem: iStock/KanawatTH)

O Ibovespa (IBOV) acompanhou a aversão a risco do exterior, com o mercado concentrado nas decisões de política monetária, e completou o sexto dia de perdas consecutivas. A reação ao resultado da Vale (VALE3) também pesou no desempenho do índice.

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Nesta quarta-feira (29), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,0018, com alta de 0,39%.

Por aqui, os investidores acompanharam os balanços corporativos, com destaque para Vale (VALE3) e Santander (SANB11).

As atenções também ficaram divididas por novos dados. Entre eles, o novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 228.208 vagas formais de trabalho em março, acima dos 150 mil postos projetados por analistas ouvidos pela Reuters.

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Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o Caged ainda é reflexo do período anterior aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

“Por mais que o dado tenha sido positivo, é importante ressaltar que, a partir de então, com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, e, consequentemente, aumento do preço do petróleo afetando a cadeia produtiva dos custos brasileiro e também com uma Selic terminal mais alta do que anteriormente projetada, deve impactar a atividade daqui para frente”, afirmou o economista.

Altas e quedas do Ibovespa

O desempenho negativo do Ibovespa foi puxado pela Vale (VALE3), em reação ao balanço do primeiro trimestre (1T26). Os papéis da mineradora detém cerca de 11,4% de participação no Ibovespa, a “mais pesada” da carteira do principal índice da bolsa brasileira.

VALE3 encerrou o pregão com queda de 5,87%, a R$ 79,44, figurando como a terceira ação com pior desempenho do índice. As cotações são preliminares.

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O papel também é o mais negociado desde o início das negociações. VALE3 fechou o dia com 74,6 mil negócios e com giro financeiro de R$ 3,240 bilhões.

A mineradora reportou um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano passado, mas abaixo da expectativa dos analistas.

Na avalição do Bradesco BBI, os números foram “neutros” do ponto de vista de reação de mercado, mas positivos sob a ótica de execução operacional e consistência da tese.

A ponta negativa do Ibovespa foi liderada por WEG (WEGE3), também em reação ao balanço do 1T26, com baixa de 6,75%, a R$ 44,10.

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As perdas do índice foram limitadas por Petrobras (PETR3; PETR4), que avançaram mais de 3% na esteira da forte valorização do petróleo – o contrato do Brent para julho encerrou com alta de 5,78%, a US$ 110,44 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior valor desde o início da guerra no Irã.

PETR4 subiu 3,03%, a R$ 48,96, enquanto PETR3 teve ganho de 3,16%, a R$ 54,47.

A ponta positiva foi encabeçada por Braskem (BRKM5), que teve alta de 5,55% (R$ 8,94). Na véspera, a petroquímica anunciou que recebeu de suas acionistas Novonor e Petrobras a lista de candidatos para a eleição do conselho de administração.

Exterior

Os índices de Wall Street encerraram sem direção única.

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O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unânime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, para um corte de 0,25 ponto percentual.

Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.

No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.

Confira o fechamento dos índices:

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  • Dow Jones: -0,57%, aos 48.861,81 pontos;
  • S&P 500: -0,04%, aos 7.135,95 pontos;
  • Nasdaq: +0,04%, aos 24.673,241 pontos.

Na Europa, os principais índices fecharam em tom negativo à espera de decisões sobre juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 0,60%, aos 602,96 pontos.

Na Ásia, os índices encerraram majoritariamente em alta. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,68%, aos 25.111,84 pontos.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.

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