Ibovespa recua mais de 2% com Vale (VALE3) e à espera de Copom; dólar sobe a R$ 5
O Ibovespa (IBOV) acompanhou a aversão a risco do exterior, com o mercado concentrado nas decisões de política monetária, e completou o sexto dia de perdas consecutivas. A reação ao resultado da Vale (VALE3) também pesou no desempenho do índice.
Nesta quarta-feira (29), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,05%, aos 184.750,42 pontos.
Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,0018, com alta de 0,39%.
Por aqui, os investidores acompanharam os balanços corporativos, com destaque para Vale (VALE3) e Santander (SANB11).
As atenções também ficaram divididas por novos dados. Entre eles, o novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 228.208 vagas formais de trabalho em março, acima dos 150 mil postos projetados por analistas ouvidos pela Reuters.
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o Caged ainda é reflexo do período anterior aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
“Por mais que o dado tenha sido positivo, é importante ressaltar que, a partir de então, com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, e, consequentemente, aumento do preço do petróleo afetando a cadeia produtiva dos custos brasileiro e também com uma Selic terminal mais alta do que anteriormente projetada, deve impactar a atividade daqui para frente”, afirmou o economista.
Altas e quedas do Ibovespa
O desempenho negativo do Ibovespa foi puxado pela Vale (VALE3), em reação ao balanço do primeiro trimestre (1T26). Os papéis da mineradora detém cerca de 11,4% de participação no Ibovespa, a “mais pesada” da carteira do principal índice da bolsa brasileira.
VALE3 encerrou o pregão com queda de 5,87%, a R$ 79,44, figurando como a terceira ação com pior desempenho do índice. As cotações são preliminares.
O papel também é o mais negociado desde o início das negociações. VALE3 fechou o dia com 74,6 mil negócios e com giro financeiro de R$ 3,240 bilhões.
Na avalição do Bradesco BBI, os números foram “neutros” do ponto de vista de reação de mercado, mas positivos sob a ótica de execução operacional e consistência da tese.
A ponta negativa do Ibovespa foi liderada por WEG (WEGE3), também em reação ao balanço do 1T26, com baixa de 6,75%, a R$ 44,10.
As perdas do índice foram limitadas por Petrobras (PETR3; PETR4), que avançaram mais de 3% na esteira da forte valorização do petróleo – o contrato do Brent para julho encerrou com alta de 5,78%, a US$ 110,44 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior valor desde o início da guerra no Irã.
PETR4 subiu 3,03%, a R$ 48,96, enquanto PETR3 teve ganho de 3,16%, a R$ 54,47.
A ponta positiva foi encabeçada por Braskem (BRKM5), que teve alta de 5,55% (R$ 8,94). Na véspera, a petroquímica anunciou que recebeu de suas acionistas Novonor e Petrobras a lista de candidatos para a eleição do conselho de administração.
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Exterior
Os índices de Wall Street encerraram sem direção única.
O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unânime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, para um corte de 0,25 ponto percentual.
Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.
No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,57%, aos 48.861,81 pontos;
- S&P 500: -0,04%, aos 7.135,95 pontos;
- Nasdaq: +0,04%, aos 24.673,241 pontos.
Na Europa, os principais índices fecharam em tom negativo à espera de decisões sobre juros pelo Banco Central Europeu (BCE) e da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 0,60%, aos 602,96 pontos.
Na Ásia, os índices encerraram majoritariamente em alta. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,68%, aos 25.111,84 pontos.