Inflação

Inflação desacelera em abril, mas composição ruim abre espaço para novas revisões em 2026

12 maio 2026, 10:49 - atualizado em 12 maio 2026, 10:49
inflação ipca-15 Brasil
(Imagem: Canva Pro)

A inflação de abril veio exatamente em linha com as expectativas do mercado, mas o alívio no número cheio não foi suficiente para tranquilizar os economistas. Embora o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha desacelerado de 0,88% em março para 0,67% em abril, analistas avaliam que a composição do indicador continua deteriorada e mantém o sinal de alerta no Banco Central.

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O problema, dizem os economistas, está menos na “foto” mensal e mais no “filme”. No acumulado de 12 meses, o IPCA acelerou para 4,39%, ante 4,14% em março, se aproximando cada vez mais do teto da meta de inflação perseguida pelo BC, de 4,5% – a meta é de 3% com tolerância de 1,5 p.p para cima ou para baixo.

Além disso, os núcleos de inflação, indicadores que ajudam a medir tendências mais persistentes dos preços ao excluir itens voláteis, continuaram pressionados em abril, reforçando a percepção de que o movimento de desinflação perdeu força.

O que dizem os economistas?

Na avaliação de André Valério, economista sênior do Banco Inter, o qualitativo do dado “não foi muito positivo”. Segundo ele, a média dos núcleos acelerou de 0,43% para 0,50% no mês, interrompendo parte da melhora observada anteriormente.

“O fim dos ganhos na desinflação do núcleo indica necessidade de cautela na condução da política monetária”, afirmou.

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Para o economista, embora a inflação de serviços tenha desacelerado no indicador cheio, boa parte desse movimento foi provocada pela queda de 14,45% nas passagens aéreas, um item historicamente mais volátil. Excluindo esse efeito, a desaceleração foi bem mais moderada.

Valério também chamou atenção para a inflação de serviços subjacente, considerada menos sensível aos juros, que acelerou de 0,49% para 0,52%, além da piora nos bens industriais, que passaram de alta de 0,31% para 0,62%.

Na mesma linha, Leonardo Costa, economista do ASA, afirmou que o balanço qualitativo do IPCA “segue deteriorado”, principalmente pela persistência da inflação de serviços e pela aceleração dos industrializados.

Segundo ele, os componentes mais ligados ao mercado de trabalho continuam mostrando resistência, enquanto os bens industriais começam a refletir efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio, especialmente sobre cadeias globais de insumos e câmbio.

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“O resultado de abril não traz alívio estrutural”, avaliou Costa. “A desaceleração se deveu em larga medida a fatores voláteis e pontuais, enquanto os componentes mais persistentes seguem pressionados.”

A leitura também foi compartilhada por Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos. Para ele, apesar de o IPCA ter vindo em linha com o esperado, a composição foi “pior do que o esperado”.

Segundo Pestana, todos os cinco núcleos acompanhados pela Genial surpreenderam para cima, mostrando uma pressão inflacionária mais disseminada do que o índice cheio sugere.

A piora qualitativa, segundo ele, ficou concentrada principalmente em alimentos e serviços. As carnes bovinas chamaram atenção dentro da alimentação no domicílio, enquanto os serviços intensivos em mão de obra voltaram a pressionar os núcleos inflacionários.

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A gasolina acabou funcionando como principal fator de alívio do índice, evitando uma inflação ainda maior em abril. Ainda assim, os economistas avaliam que o cenário segue desconfortável para o Banco Central, especialmente diante dos riscos adicionais no horizonte, como tensões geopolíticas no Oriente Médio e a possibilidade de impactos climáticos sobre alimentos e energia no segundo semestre com o El Niño se aproximando.

Com isso, parte do mercado já começa a enxergar espaço para revisões para cima nas projeções de inflação para 2026 e 2027, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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